O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira (B3), retomou o patamar dos 180 mil pontos (180.409,73 pontos) na sessão desta terça-feira (17), encerrando o dia em alta de 0,30%, no segundo avanço consecutivo.
O movimento foi sustentado pela melhora na percepção de risco no cenário internacional e pela postura mais cautelosa dos investidores às vésperas desta super quarta, quando serão anunciadas as decisões de política monetária aqui no Brasil e nos Estados Unidos.
Entre os destaques do pregão, as ações da Petrobras registrou ganhos de 1,22% (ON) e 1,76% (PN), refletindo a alta do petróleo no mercado internacional, enquanto a Vale teve desempenho mais contido, encerrando em leve alta de 0,15%.
Na ponta negativa, o setor financeiro pressionou o índice. Os papéis do Itaú Unibanco recuaram 0,67%, enquanto o Santander Brasil caiu 1,18%.
Entre as maiores altas do dia, destaque para a Natura (+8,46%) e a CSN (+5,14%). Já na ponta oposta, Magazine Luiza liderou as perdas, com queda de 8,13%.
No câmbio, o dólar encerrou o dia em queda de 0,57% frente ao real, cotado a R$ 5,20 com a melhora do apetite ao risco no exterior.
No cenário internacional, os mercados globais seguem atentos à primeira decisão de política monetária do Federal Reserve (Fed) após o início do conflito no Oriente Médio. O consenso é de que os juros sejam mantidos na faixa de 3,5% a 3,75%.
As sinalizações sobre os impactos da guerra no cenário inflacionário serão determinantes para o rumo da política monetária dos EUA. Diante das incertezas, investidores já adiam apostas para o início da flexibilização e reduzem a magnitude dos cortes esperados para este ano.
O foco do mercado também se volta para a comunicação de Jerome Powell, que deve calibrar as expectativas sobre o início do ciclo de cortes (hoje dividido entre setembro e dezembro) e sua intensidade, com uma ou duas reduções ainda em 2026.
No Brasil, o desafio recai sobre o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, que chega à decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) sob pressão para preservar a credibilidade da política monetária no início do ciclo de afrouxamento.
Antes da escalada do conflito no Oriente Médio, a expectativa era de um corte de 0,5 p.p. Agora, o consenso migrou para uma redução mais cautelosa, de 0,25 p.p., levando a Selic a 14,75% ao ano.
A disparada do petróleo e o impacto recente no IPCA reforçam o tom de prudência, a ponto de parte do mercado já considerar a possibilidade de manutenção da taxa. Um levantamento do BTG Pactual mostra que apenas 17% ainda projetam corte de 0,50 p.p., enquanto 12% veem a Selic inalterada.
Como fator adicional de risco, a iminente paralisação dos caminhoneiros, pode ser deflagrada até o fim de semana, em protesto contra o reajuste do diesel e as condições de frete. A mobilização, ainda em negociação entre lideranças e entidades do setor, pode atingir portos e ganhar dimensão nacional, elevando a pressão inflacionária em um momento já sensível para o Banco Central.
O episódio reacende a memória da crise de 2018 e coloca o Copom em posição ainda mais delicada, diante do risco de novos choques de preços. Nem mesmo o pacote do governo — que zerou PIS/Cofins e ampliou subsídios ao diesel — foi suficiente para conter a insatisfação da categoria.
Isso porque, logo na sequência, a Petrobras reajustou o diesel em 11,6% nas refinarias e pode promover novos aumentos para reduzir a defasagem em relação aos preços internacionais, mantendo o cenário de incerteza no radar das autoridades.
As Bolsas da Europa seguem a tendência de ganhos da véspera, com investidores atentos às tensões geopolíticas envolvendo EUA, Israel e Irã e às decisões de juros do Fed.
Também são esperadas as decisões do Banco Central Europeu (BCE) e Banco da Inglaterra (BoE), amanhã, que também devem ser de manutenção dos juros.
Na Ásia, os mercados fecharam em alta na sessão desta quarta-feira, impulsionados pelo setor de tecnologia, com destaque para Kospi e Nikkei, diante do otimismo com a demanda por IA e avanços de fabricantes de chips com produtos ligados à computação de próxima geração.
Nikkei e Kospi lideraram os ganhos do pregão, com alta de 2,87% e de 5,04%, respectivamente.
O mercado também acompanha as decisões do Federal Reserve hoje e do BoJ posteriormente, com foco no ritmo de normalização dos juros no Japão.
Em Nova York, os índices futuros retomam o ritmo de alta, com as atenções voltadas para a primeira decisão sobre política monetária do Fed após o início do conflito no Oriente Médio.
Confira os principais índices do mercado:
Nos EUA, os investidores seguem atentos às sinalizações de Jerome Powell sobre os impactos da disparada do petróleo nas próximas decisões do Federal Reserve. A leitura é de que a commodity pode adicionar pressão inflacionária e influenciar o timing do início do ciclo de cortes de juros.
Na agenda do dia, o índice de preços ao produtor (PPI) de fevereiro também ganha relevância. Projeção do BTG Pactual aponta desaceleração para 0,3% na base mensal, após alta de 0,5% em janeiro — dado que pode ajudar a calibrar as expectativas de inflação no curto prazo.
No campo geopolítico, o cenário segue tensionado. Apelos de Donald Trump para que aliados contribuam com a reabertura do Estreito de Ormuz foram, em grande parte, ignorados. O presidente chegou a criticar a OTAN por não se envolver no conflito, classificando a postura como um “erro tolo”. Ainda assim, declarações de autoridades americanas sugerindo uma possível resolução da guerra não foram suficientes para aliviar os preços do petróleo.
O conflito também começa a gerar efeitos políticos em Washington. Joseph Kent deixou o cargo em oposição à ofensiva contra o Irã, marcando a primeira baixa relevante na equipe desde o início das hostilidades.
No Brasil, as atenções se voltam para a decisão do Comitê de Política Monetária. O choque externo, somado à alta do petróleo, reduziu o espaço para cortes mais agressivos na Selic, que foi mantida em 15% ao ano na última reunião.
Para o BTG, o Banco Central deve optar por uma redução mais cautelosa, acompanhada de sinalização de continuidade do ciclo de flexibilização — condicionada à evolução do cenário macroeconômico.
Enquanto isso, o Tesouro Nacional intensificou sua atuação no mercado, com recompras expressivas de títulos públicos. Apenas ontem, foram R$ 9,4 bilhões em papéis prefixados e R$ 7,1 bilhões em NTN-Bs.
Desde o início da semana, as operações já somam R$ 43,9 bilhões, um volume recorde. Ainda assim, o movimento não foi suficiente para conter a alta dos juros na sessão anterior, refletindo a cautela dos investidores diante do cenário de incerteza.
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