Com o leilão de capacidade de energia ainda em andamento, dados prévios sobre as primeiras rodadas da concorrência estão gerando expectativa por um resultado avassalador para a Eneva, impulsionando a ação da companhia.
A ação da elétrica saltava 12,8% por volta das 15 horas para R$ 23,88.
Encerradas as etapas iniciais, que buscavam contratar projetos termelétricos para início de fornecimento entre 2026 e 2029, os preços correntes mostrados pelo sistema da licitação apontavam para deságios baixos, sinalizando uma demanda elevada.
A Eneva busca renovar contratos de projetos térmicos já em operação, bem como contratar novos empreendimentos, e é vista como uma das favoritas do leilão.
“Os vencedores ainda não são públicos, mas a chance de a Eneva ter ganhado é enorme. E o que importa é que os preços estão muito altos, perto do teto, com pouquíssimo deságio. Tudo indica que a demanda foi altíssima,” disse um gestor que acompanha o leilão.
Na rodada de licitação para renovação de contratos existentes, com entrega de energia já a partir de 2026, o novo preço corrente no sistema da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica, que conduz a licitação, era de R$ 2,18 milhões por MW.ano, cerca de 3% abaixo do preço inicial.
Para o produto com entrega em 2027, os preços correntes eram de R$ 2,22 milhões por MW.ano, apenas 1% abaixo do teto.
Na rodada para 2028, o valor estava em R$ 2,69 milhões por MW.ano, cerca de 7% abaixo do teto para novos projetos. Na disputa para contratos iniciando em 2029, o desconto estava em cerca de 1%.
No BTG Pactual, a equipe de utilities liderada por Antonio Junqueira tem um preço-alvo de R$ 30 para a ação da Eneva em seu cenário mais positivo para os resultados do leilão. (O BTG é o maior acionista da Eneva).
A hipótese mais construtiva considera que a Eneva renovará suas usinas operacionais perto do preço-teto e viabilizará pelo menos mais 2,3 gigawatts em capacidade, também sem descontos relevantes.
Em uma visão mais conservadora, considerando deságios de 10% e a contratação de apenas 1,3 gigawatt adicional, o preço-alvo para a Eneva seria de R$ 22,60 no fim do ano, segundo o BTG.
O UBS BB tem com um preço-alvo de R$ 27 para a ação, descrevendo o leilão como “transformacional” para a Eneva e já projetando um resultado positivo para a companhia.
O analista Giuliano Ajeje estima em seu cenário base que a Eneva renovará os contratos existentes e assegurará contratos para mais cerca de 2,3 GW em projetos. Ele avalia que a empresa poderia ter cerca de 4 GW totais na disputa.
“No preço em que está a ação (agora à tarde), ainda tem espaço para subir, se oficializados resultados dentro do que está sendo sinalizado,” disse um gestor posicionado na tese.
A Petrobras e a Âmbar Energia, da J&F Investimentos, também estão participando na concorrência por projetos termelétricos – mas a Eneva era apontada como favorita por já haver preparado o território, pagando antecipadamente para assegurar o fornecimento de turbinas num momento de escassez de equipamentos no mundo.
Agora no meio da tarde, o leilão está nas rodadas em que concorrem projetos de expansão de hidrelétricas. A ação da Copel sobe 3,8% para R$ 14,95, com a empresa sendo vista como uma das potenciais vencedoras na disputa por esses contratos.
A Copel já disse que pretendia aproveitar o leilão para colocar equipamentos adicionais nas hidrelétricas de Foz do Areia, a maior da companhia, e Segredo. A companhia poderia adicionar 2 gigawatts em potência com esses empreendimentos.
As empresas vencedoras, projetos contratados e preços só serão confirmados ao final do certame.
No mercado, a expectativa é de contratação de até 20 gigawatts em capacidade total, o que faria do leilão o maior da história do setor elétrico.
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