O Facebook, por meio da controladora Meta, decidiu retomar seus planos para entrar no mercado de stablecoins, sinalizando uma mudança relevante no setor global de pagamentos digitais. A empresa enviou um pedido formal a fornecedores externos para administrar operações envolvendo um novo token lastreado em dólar. Assim, a companhia tenta ressuscitar um projeto que ganhou grande atenção em 2019, quando apresentou a stablecoin Libra, mais tarde rebatizada como Diem.
Fontes próximas ao assunto afirmam que a Meta quer iniciar essa integração ainda no segundo semestre deste ano. Dessa forma, a empresa pretende abrir um novo caminho para pagamentos digitais dentro de seus aplicativos, como Facebook, WhatsApp e Instagram, que somam mais de 3 bilhões de usuários. Além disso, a Meta planeja lançar uma nova carteira digital para facilitar remessas e compras internacionais.
Uma das fontes também afirmou que a Meta enviou um pedido de proposta para várias empresas especializadas. Entre elas, Stripe surgiu como uma das principais candidatas para pilotar o sistema. A Stripe reforçou sua posição no setor após adquirir a empresa Bridge, focada em tecnologia para stablecoins. O CEO da Stripe, Patrick Collison, inclusive entrou para o conselho da Meta em abril de 2025, reforçando a proximidade entre as duas companhias.
A nova iniciativa permitiria que a Meta reduzisse custos associados aos sistemas bancários tradicionais e abrisse suas próprias rotas de pagamento para bilhões de usuários. Dessa forma, a empresa poderia avançar no chamado “social commerce”, ao integrar compras, conversas e transferências em um único ambiente. Além disso, a empresa passaria a disputar espaço com concorrentes diretos como o X, de Elon Musk, e o Telegram, que também trabalham para se tornarem “super apps” globais.
Ainda assim, a lembrança da Libra permanece forte. Em 2019, o projeto enfrentou forte resistência regulatória nos Estados Unidos, agravada pelo desgaste de imagem causado pelo caso Cambridge Analytica. Assim, a Libra Association reduziu seu plano original e tentou criar várias stablecoins atreladas a moedas específicas. No entanto, o projeto nunca decolou. Em 2022, a Meta encerrou oficialmente o desenvolvimento e vendeu seus ativos.
Hoje, o cenário regulatório é muito diferente. A administração norte-americana trabalha em várias propostas, incluindo o GENIUS Act, que criou pela primeira vez uma base legal específica para emissores de stablecoins. Esse avanço abriu caminho para novos participantes e impulsionou o surgimento de modelos regulados.
Mesmo assim, a Meta demonstra cautela. Uma das fontes afirmou que a empresa quer operar o novo sistema “à distância”, de forma a reduzir riscos regulatórios e evitar repercussões semelhantes às enfrentadas no passado. Portanto, o uso de um parceiro para administrar pagamentos com stablecoins surge como uma estratégia deliberada.
Ao retomar um tema que provocou debates no mundo todo, a Meta indica que vê espaço para reinventar a forma como bilhões de pessoas pagam, compram e enviam dinheiro. Ainda que o caminho regulatório continue incerto, a empresa aposta que agora o ambiente está mais favorável para finalmente lançar sua stablecoin.
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