A “banda favorita” de Wall Street nos últimos anos começa a dar sinais de separação. Tudo por conta da inteligência artificial (IA).
Após anos dominando os mercados, com desempenhos superiores e valores de mercado astronômicos, as “Magníficas Sete” passaram a apresentar comportamentos divergentes em 2025, diante dos altos investimentos em IA e das dúvidas sobre a capacidade de todas entregarem resultados.
Um levantamento do jornal The Wall Street Journal (WSJ) mostra que, do grupo, apenas Alphabet e Nvidia superaram o S&P 500 em 2025 – altas de 65,6% e 35,6% contra avanço de 17,5%, respectivamente.
A expectativa é que as empresas do grupo – que conta ainda com Microsoft, Meta, Apple, Amazon e Tesla – continuem com desempenhos díspares em 2026, com gestores apontando que já não são sinônimo de sucesso garantido no mercado de ações.
Inicialmente agrupadas por serem as maiores empresas de tecnologia do mundo, os integrantes das Magnificent Seven veem a IA provocar uma cisão, diante das diferentes abordagens e estágios de desenvolvimento da tecnologia.
Amazon, Alphabet, Microsoft e Meta estão investindo centenas de bilhões de dólares para treinar novos modelos de IA, construir data centers e expandir a capacidade de computação em nuvem, com resultados variados. A Nvidia segue dominando o mercado de chips necessários para os modelos mais avançados.
Já a Apple ficou para trás. As ações da companhia fecharam 2025 com alta de 12,5%, abaixo do S&P 500, sob críticas por investir menos e perder espaço para concorrentes em iniciativas de IA.
A diferença nos desempenhos também reflete a evolução do trade em IA desde o início do frenesi. Em meio às dúvidas sobre os retornos dos investimentos, investidores institucionais passaram a adotar diferentes estratégias.
Alguns apostam nos benefícios da IA em áreas como saúde; outros preferem fabricantes de microprocessadores ou empresas de energia, segmento que deve crescer com a demanda dos data centers.
O mesmo vale para o varejo. Até então “fiéis” às Magníficas Sete, os investidores pessoas físicas responderam por uma fatia menor dos aportes nessas companhias em 2025 do que em 2023 e 2024, segundo levantamento da Vanda Research citado pelo WSJ.
Essa mudança pesou sobre as ações da Tesla, favorita desse público. O volume médio diário de negócios com papéis da montadora oriundos de pequenos investidores caiu 43% em 2025 em relação ao pico registrado dois anos antes.
Ainda que a IA possa levar as Magníficas Sete a seguir “carreira solo”, seu peso segue relevante. Juntas, representam cerca de 36% do S&P 500, segundo dados da Dow Jones Market Data citados pelo WSJ.

