Ao divulgar seus resultados do quarto trimestre e do ano de 2025 na noite desta quinta-feira, 19 de março, mais do que os números do período, a Panvel encerrou um ciclo iniciado em 2020, quando captou R$ 480 milhões em um re-IPO.

No último capítulo dessa jornada, a rede de farmácias entregou um lucro líquido ajustado trimestral recorde de R$ 45,2 milhões, o que representou um salto de 35% sobre igual período, um ano antes. No ano, o indicador ficou em R$ 135,3 milhões, alta anual de 15,3%.

O Ebitda ajustado cresceu 27,9% no trimestre, para R$ 104,8 milhões. Já a receita bruta ficou em R$ 1,68 bilhão, entre outubro e dezembro, alta de 18,2%, e avançou 17% em base anual, para R$ 5,91 bilhões. Um outro dado, porém, é destacado por Julio Mottin Neto, CEO da rede gaúcha.

“Nós saímos de um faturamento de R$ 2,5 bilhões, há cinco anos, para R$ 5,9 bilhões agora, e isso tendo em vista que eliminamos nossa operação de atacado nesse intervalo”, afirma Mottin Neto, ao NeoFeed. “Agora, nosso plano é dobrar novamente o tamanho da empresa até 2030.”

Em números, a tradução desse plano aponta para a projeção de um faturamento entre R$ 11,5 bilhões e R$ 12 bilhões ao fim desse prazo, com margem Ebitda na faixa de 6,7% a 7% e uma rede com 950 a mil lojas em operação – a Panvel fechou 2025 com 659 unidades.

No caminho para tornar essas estimativas realidade, a rede vai reforçar muitas das vias que ajudam a explicar os avanços registrados entre 2020 e 2025. Mas também aposta em um novo ingrediente para turbinar essa fórmula: os medicamentos à base de GLP-1, as populares canetas emagrecedoras, especialmente com a agenda de expiração de patentes a partir deste ano.

“O setor já tinha boas perspectivas com o envelhecimento da população”, diz o CEO. “E ficou ainda melhor com o GLP-1, que é um fenômeno global e que, no Brasil, é ainda mais forte, porque aqui ele joga não só o tema da obesidade, mas muito também o da estética, que tem muito a ver com a Panvel.”

Ele observa que esse otimismo é reforçado com a agenda de expiração de patente de GLP-1, que vai ganhar força a partir deste ano, e, por consequência, a entrada de mais players nesse espaço, além da Novo Nordisk e da Eli Lilly, que lideraram essa disseminação da categoria.

“Isso ajuda porque nos traz a possibilidade de endereçar o mercado informal, que, hoje, é três vezes maior do que o formal em unidades vendidas”, afirma Mottin Neto. “Vão vir produtos mais baratos, que vão colocar as pessoas que hoje compram canetas sem procedência dentro das farmácias.”

A Panvel enxerga uma oportunidade nessa migração, dado que as categorias relacionadas à estética têm bastante peso na estratégia da varejista, que também pode se beneficiar em outras frentes. “Os produtos de GLP-1 ajudam muito na venda média por loja”, diz Antonio Napp, CFO da rede.

Fórmula reforçada

A venda média por loja foi também outro destaque no balanço da varejista, que encerrou o ano com uma cifra recorde mensal de R$ 849 mil por unidade. E, em linha com essa marca, os esforços para reforçar a produtividade, seja nas lojas ou no back office, seguem no balcão para esse próximo ciclo.

“Nunca tivemos tantas ferramentas para destravar produtividade como hoje, de automação e inteligência artificial”, diz o CFO. “E nunca estivemos em tão boa forma para capturar isso. Então, estamos muito focados em ter uma empresa ainda mais saudável, com uma dívida ainda menor.”

A Panvel encerrou o ano de 2025 com uma alavancagem de 0,9 vez, contra o patamar de 1,2 vez registrado há um ano.

Outro componente que segue como prioritário nessa próxima fase são os canais digitais, que registram um crescimento de 54,6% sobre o quarto trimestre de 2024 e alcançaram uma participação recorde de 28,6% das vendas totais da rede – em 2019, o índice era de aproximadamente 10%.

“Nós imaginamos o digital chegando em 50% da venda em cinco anos, se mantivermos essa taxa de crescimento”, diz Mottin Neto. Um dos próximos passos é impulsionar ainda mais uma abordagem multicanal, especialmente entre os clientes Prime, que gastam mais de R$ 250 na rede todos os meses.

Em abril, numa das estratégias nessa direção, o aplicativo vai começar a oferecer uma funcionalidade no qual o cliente, dentro da loja, pode gerar um QR Code que dará acesso a condições de compra diferenciadas, para serem finalizadas naquela mesma unidade.

“Queremos aumentar o número de pessoas digitalizadas dentro da loja”, diz o CEO. “Esse perfil de cliente tem uma frequência três vezes maior e o seu tíquete médio é exatamente o dobro do consumidor que não é digitalizado.”

Assim como o digital, as marcas próprias também serão reforçadas. Essa área cresceu 34,7% e alcançou uma participação de 8,4% nas vendas do varejo entre outubro e dezembro. O destaque ficou com os produtos de higiene e beleza, com 19,3% de participação nos itens próprios comercializados.

Com mais de 1,2 mil SKUs e 310 lançamentos realizados em 2025, a Panvel já projeta novas linhas em categorias como maquiagem e suplementos alimentares. Essa última, segundo os executivos, também vem sendo impulsionada na esteira do avanço dos medicamentos de GLP-1.

Na contramão da aceleração nessas frentes, a Panvel seguirá tendo uma postura mais conservadora no que diz respeito à estratégia de expansão de lojas nesse ano. A projeção é inaugurar 45 unidades no período, contra a média de 60 aberturas anterior a 2025 – no ano, foram 42 novos pontos de venda.

“Esse ano de 2026 ainda é um período de muita colheita e produtividade na base de lojas já existentes”, afirma Napp. “Temos um vento extremamente favorável em vendas e conseguimos crescendo expandindo com 45 unidades. Mas vamos priorizar outras frentes.”

As ações da Panvel fecharam o dia na B3 com leve queda de 0,49%, cotadas a R$ 14,23. No ano, os papéis acumulam, porém, uma valorização de 18,6% no ano, avaliando a companhia em R$ 2,1 bilhões.

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