Incerteza geopolítica e preços de energia elevam projeções de juros no Brasil.
A curva de juros futuros no Brasil registrou altas acentuadas nesta quinta-feira (19), com avanços próximos a 30 pontos-base em todos os vencimentos. O movimento reflete o temor do mercado com um possível choque inflacionário global, impulsionado pelo prolongamento das tensões no Oriente Médio e a escalada nos preços do petróleo.
A pressão sobre as taxas ocorre logo após a última decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), que reduziu a Selic, mas alertou para o aumento das incertezas externas.
O cenário geopolítico entre Estados Unidos e Irã tem sido o principal vetor de instabilidade. O barril de petróleo Brent voltou a encostar na marca de US$ 120, atingindo máxima intradia de US$ 119,10 nesta manhã.
Esse avanço das commodities pressiona as projeções de inflação e força o ajuste nas curvas de juros globais. Nos EUA, os rendimentos dos títulos do Tesouro (Treasuries) também operam em alta, com o título de dois anos subindo para 3,809%.
Na última quarta-feira (18), o Copom cortou a taxa Selic de 15,00% para 14,75% ao ano. Apesar da flexibilização, o Banco Central destacou um “forte aumento da incerteza” e o distanciamento das projeções de inflação em relação à meta.
Especialistas apontam que, caso o conflito no Irã permaneça, o BC pode ser forçado a interromper os cortes e manter a Selic no patamar atual na reunião de abril.
Os contratos de DI (Depósitos Interfinanceiros) apresentaram forte volatilidade durante o pregão:
| Vencimento | Taxa Atual | Fechamento Anterior |
| Janeiro 2026 | 14,215% | 14,200% |
| Janeiro 2030 | 14,045% | 13,845% |
| Janeiro 2036 | 14,075% | 13,880% |
O cenário tornou-se ainda mais desafiador após a decisão do Banco da Inglaterra (BoE), que manteve os juros em 3,75%, mas alertou para pressões inflacionárias de curto prazo causadas pelo conflito no Oriente Médio. A postura mais rígida (hawkish) das autoridades internacionais contribuiu para o estresse nas curvas de juros brasileiras.


