Um míssil iraniano causou “danos extensos” nas instalações do hub industrial de Ras Laffan, no Qatar, um complexo responsável por 20% de todo o gás natural exportado no mundo.
A produção já havia sido interrompida no início do mês, por causa das ameaças por parte do Irã. O estrago do ataque ocorrido hoje elevam as incertezas sobre a retomada na produção.
A planta de gás natural no Qatar não é um caso isolado. Diversas outras instalações relevantes de óleo e gás do Oriente Médio foram danificadas nas últimas duas semanas.
Na Arábia Saudita, um ataque com drones paralisou por duas semanas a produção na refinaria de Ras Tanura – a maior do país, com capacidade para processar 550 mil barris de petróleo/dia. A Saudi Aramco retomou recentemente as operações na unidade, mas com capacidade parcial – cerca da metade do total.
De acordo com o analista Giacomo Prandelli, autor da newsletter especializada em commodities Merchant’s News, a retomada plena deverá levar de 8 a 12 semanas – e isso se não houver novos incidentes. Em 2019, a refinaria de Abqaib foi atingida por drones – supostamente do Irã – e precisou de seis meses para restabelecer sua carga máxima.
Ocorreram ainda avarias de menor escala em praticamente todos os países da região, entre eles Iraque, Emirados Árabes Unidos e Kuwait.
Outro foco de preocupação é a capacidade de armazenamento – que chegou perto do limite, na maioria dos países produtores da região e eles terão que reduzir a extração.
Segundo o relatório, caso o conflito chegue ao fim até junho, a indústria petrolífera do Oriente Médio retomará o nível pré-crise apenas no início de 2027.
Em tempos de paz, são escoados por Ormuz 15 milhões de barris/dia de petróleo cru e 5,5 milhões de barris/dia de derivados. Segundo o Citi, as estimativas atuais são que estejam passando pelo Estreito apenas 1 milhão de barris/dia de petróleo e 500 mil barris/dia de derivados.
A Arábia Saudita conseguiu retomar boa parte de suas exportações por meio de uma rota alternativa, segundo a Bloomberg. Está usando um oleoduto de 1.200 quilômetros até o porto ocidental de Yanbu, no Mar Vermelho. Os embarques ali chegaram a 4,2 milhões de barris/dia. Antes da guerra, o país vinha exportando 7 milhões de barris/dia.
Para os analistas da Goldman Sachs, o cenário-base é de normalização dos fluxos no Estreito de Ormuz até o final de abril. “Mas, sem isso, continuamos a observar riscos inclinados para preços mais altos e temores sobre o crescimento global tendo tanto impacto quanto temores sobre a inflação nos mercados,” disseram os analistas do banco.
Não se pode esquecer que as instalações do Irã também foram duramente castigadas – incluindo a refinaria de Teerã, com capacidade para processar 900 mil barris/dia.
De acordo com Prandelli, o Irã tem conseguido exportar cerca de 1,1 milhão de barris/dia, quase tudo para a China. É menos da metade dos 2,12 milhões de barris/dia que o país vinha colocando no mercado internacional antes da guerra.
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