“Foi Apenas um Acidente”, de Jafar Panahi, concorre na categoria de Melhor Filme Internacional“Foi Apenas um Acidente”, de Jafar Panahi, concorre na categoria de Melhor Filme Internacional

Entenda por que um filme iraniano concorre ao Oscar pela França

2026/03/15 17:00
Leu 4 min
Para enviar feedbacks ou expressar preocupações a respeito deste conteúdo, contate-nos em crypto.news@mexc.com

O filme iraniano “Foi Apenas um Acidente”, do diretor Jafar Panahi, está indicado à 98ª edição do Oscar nas categorias de Melhor Roteiro e Melhor Filme Internacional. A cerimônia se dá neste domingo (15.mar.2026), em Los Angeles.

Apesar de ser dirigido e protagonizado por iranianos, gravado no Irã e falado em farsi, o longa de Panahi concorre como representante da França. Os motivos são 2: política e mercado.

Foi Apenas um Acidente” foi realizado em regime de coprodução internacional com participação de França, Irã e Luxemburgo. “Só que quando a gente olha para as questões de financiamento nesses créditos, os fundos apoiadores são totalmente franceses”, explica a professora de audiovisual da Universidade Federal de São Carlos, .

Ela afirma que os filmes costumam ser indicados pelo país responsável pela maior parte da coprodução —a França, no caso de “Foi Apenas um Acidente”. Mas isso se dá também por um contexto político. O longa de Panahi é, essencialmente, uma crítica ao regime iraniano. 

Na trama, um grupo de ex-prisioneiros políticos em Teerã tentam descobrir se um homem que encontram ao acaso é o torturador que marcou suas vidas. O filme foi gravado às escondidas por receio de repressão do governo teocrático que comanda o país persa.

Quem faz a inscrição é o país”, afirma Figueiró sobre o processo de escolha para o Oscar. “Assim como acontece no Brasil, existe uma comissão dentro do CNC [Centre national du cinéma et de l’image animée], que é a autoridade cinematográfica francesa, como se fosse a nossa Ancine [Agência Nacional do Cinema], que se reúne e abre uma inscrição para quem está interessado em concorrer ao Oscar pela França e, dentre esses inscritos, elege qual o filme mais representativo”.

Por constituir um filme contrário ao governo, é natural que o Irã, onde há uma forte presença estatal nas instituições, não selecionasse Panahi. Isso significa que, para ser indicado ao prêmio, foi necessária a seleção do longa por parte francesa —mesmo que com isso obras em francês fossem preteridas.

Para a professora da UFSCar, a escolha da França representa um posicionamento político. “Ela abriu mão de colocar um filme falado em francês, filmado na França, para indicar um filme iraniano. Isso é muito representativo desse momento”, afirma.

Além do aspecto simbólico, Figueiró destaca o papel da Palma de Ouro, principal prêmio do Festival de Cannes e que foi vencido pelo longa de Panahi em maio de 2025. Para ela, isso significa que o filme teve “uma chancela francesa de antemão”.

Vencer Cannes representa ainda um bom histórico para concorrentes à premiação norte-americana. “O Oscar prioriza, historicamente, os que, no ano anterior, foram os principais filmes exibidos ou premiados em festivais”, afirma Figueiró.

FRANÇA NO MERCADO AUDIOVISUAL

No Oscar 2025, o filme indicado pela França foi “Emilia Perez”, de Jacques Audiard. Apesar de dirigido por um francês, o longa trata principalmente de temas que envolvem a cultura mexicana e é falado em espanhol.

Figueiró explica que a participação da França em longas internacionais atende a uma estratégia de mercado. “Eles entram com a parte financeira, a parte criativa, como a pós-produção em filmes de vários talentos do mundo, justamente para que esses tentáculos franceses cheguem a mais lugares”, afirma.

Assim, os longas acabam passando por toda uma cadeia com envolvimento francês: festivais, agentes de venda e distribuidoras. Os filmes são, por fim, exibidos nas salas de cinema da França, muitas vezes usufruindo das regras de cota de tela do país, por se configurar como uma produção nacional, o que retroalimenta o ciclo.

LINGUAGEM

Apesar dos toques de comédia, “Foi Apenas um Acidente” ganha força mesmo no desconforto. Isso não se dá à toa. Panahi foi preso no Irã em 2010 e depois em 2022, quando cumpriu pena na prisão de Evin por 7 meses. A experiência detido inspirou a criação do longa.

A maioria dos filmes iranianos, não só desse diretor, mas de outros, são sempre muito confinados, porque eles não conseguem filmar na rua”, afirma Figueiró. “Isso é uma linguagem desse lugar por conta da censura, porque se eles forem encontrados na rua filmando, eles [o regime] vão levar o material, as câmeras, os cartões de memória”, acrescenta.

Para a professora, essas dificuldades presentes no ato de filmar se reproduzem na própria linguagem do longa. Isso, segundo Figueiró, permite com que os iranianos se reconheçam na obra de Panahi.

Oportunidade de mercado
Logo de PortugalNationalTeam
Cotação PortugalNationalTeam (POR)
$0.6762
$0.6762$0.6762
+3.77%
USD
Gráfico de preço em tempo real de PortugalNationalTeam (POR)
Isenção de responsabilidade: Os artigos republicados neste site são provenientes de plataformas públicas e são fornecidos apenas para fins informativos. Eles não refletem necessariamente a opinião da MEXC. Todos os direitos permanecem com os autores originais. Se você acredita que algum conteúdo infringe direitos de terceiros, entre em contato pelo e-mail crypto.news@mexc.com para solicitar a remoção. A MEXC não oferece garantias quanto à precisão, integridade ou atualidade das informações e não se responsabiliza por quaisquer ações tomadas com base no conteúdo fornecido. O conteúdo não constitui aconselhamento financeiro, jurídico ou profissional, nem deve ser considerado uma recomendação ou endosso por parte da MEXC.