Estudo com 44 pacientes analisou impacto da apneia, a queda de oxigênio no sono pode afetar músculosEstudo com 44 pacientes analisou impacto da apneia, a queda de oxigênio no sono pode afetar músculos

Apneia do sono agrava perda muscular na DPOC

2026/03/15 17:40
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A presença de apneia do sono pode agravar a perda de força e massa muscular em pessoas com doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), segundo estudo publicado na revista científica Scientific Reports.

A pesquisa analisou 44 pacientes e comparou pessoas com DPOC associada à síndrome da apneia obstrutiva do sono com pacientes que tinham apenas a doença pulmonar. Os resultados indicam pior desempenho físico e redução da força muscular entre os indivíduos com as duas condições.

A DPOC é uma doença respiratória caracterizada por dificuldade para respirar e limitação em atividades do dia a dia. Já a apneia do sono provoca interrupções repetidas da respiração durante o sono, geralmente associadas a ronco intenso e sonolência diurna.

Quando as duas doenças ocorrem juntas, o quadro é conhecido como síndrome de sobreposição. Segundo os pesquisadores, essa combinação pode intensificar os impactos sistêmicos da DPOC, incluindo a perda de força muscular.

Desempenho físico menor

No estudo, os participantes foram divididos em dois grupos: pacientes com DPOC isolada e pacientes com DPOC associada à apneia do sono.Os pesquisadores avaliaram indicadores de capacidade funcional e força muscular.

Entre eles estavam a força de preensão palmar, usada para medir a força dos músculos das mãos, e o teste de caminhada de seis minutos, que mede a capacidade de exercício. Os pacientes com as duas doenças apresentaram desempenho inferior nos dois testes.

A diferença indica pior qualidade muscular e menor capacidade funcional nesse grupo. Segundo os autores, esses fatores estão associados a maior risco de complicações clínicas, como hospitalizações e mortalidade.

Queda de oxigênio durante o sono

Os pesquisadores também analisaram parâmetros respiratórios relacionados ao sono.Um dos indicadores avaliados foi o índice de dessaturação de oxigênio, que mede quantas vezes o nível de oxigênio no sangue diminui durante a noite.

Os resultados indicam que quedas repetidas de oxigenação —processo chamado de hipóxia intermitente— podem afetar o metabolismo muscular.

Esse mecanismo pode contribuir para a perda de massa e redução da força dos músculos.

Impacto no tratamento

Segundo os autores, os resultados reforçam a importância de investigar distúrbios do sono em pacientes com DPOC.

O diagnóstico e o tratamento da apneia podem ajudar a reduzir complicações e melhorar a qualidade de vida desses pacientes.

Os pesquisadores afirmam que a relação entre sono, função muscular e capacidade física deve ser considerada em programas de acompanhamento clínico e reabilitação pulmonar.

O estudo foi conduzido por pesquisadores brasileiros com apoio da FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) e publicado na revista científica Scientific Reports


Com informações FAPESP

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