Estudo da Embrapa testa extratos de algas marinhas; resultados indicam maior resistência de trigo e canola ao estresse hídricoEstudo da Embrapa testa extratos de algas marinhas; resultados indicam maior resistência de trigo e canola ao estresse hídrico

Algas brasileiras podem ajudar grãos na seca

2026/03/15 17:45
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Pesquisadores da Embrapa estudam o uso de algas marinhas da costa brasileira para desenvolver bioestimulantes capazes de aumentar a tolerância de culturas agrícolas à falta de água. Experimentos realizados em casa de vegetação indicaram ganhos no desenvolvimento de trigo e canola cultivados sob condições de estresse hídrico.

Na canola, os pesquisadores observaram aumento de até 160% na formação de síliquas vagens que abrigam as sementes. No trigo, houve crescimento de 10% a 12% no volume e no comprimento das raízes.

Segundo os cientistas, raízes maiores ajudam as plantas a alcançar água em camadas mais profundas do solo, o que pode reduzir perdas de produtividade em períodos de estiagem. Os testes foram realizados com culturas de inverno cultivadas no Cerrado, região que tem registrado períodos secos mais intensos entre maio e setembro.

Bioestimulantes feitos com algas

O projeto avaliou extratos de quatro espécies de algas marinhas brasileiras para identificar compostos capazes de estimular o crescimento das plantas. Essas substâncias incluem metabólitos secundários e fitormônios, moléculas que regulam processos fisiológicos e ajudam as plantas a responder a situações de estresse.

Após análises químicas e testes biológicos, os pesquisadores selecionaram extratos com maior potencial de aplicação agrícola. Dois deles apresentaram melhor desempenho em trigo e canola.

Próxima etapa será no campo

Os experimentos foram conduzidos em ambiente controlado, com temperatura e umidade reguladas. Segundo os pesquisadores, os resultados obtidos em casas de vegetação tendem a ser menores em lavouras comerciais, mas ainda podem trazer ganhos relevantes.

Se os testes de campo confirmarem aumento de produtividade entre 5% e 10%, o impacto já seria considerado significativo para a agricultura. A próxima fase da pesquisa prevê experimentos em áreas agrícolas para definir doses, formas de aplicação e desempenho em diferentes regiões.

Biodiversidade e bioinsumos

Além de aumentar a resiliência das lavouras, o estudo também busca ampliar o uso da biodiversidade brasileira no desenvolvimento de bioinsumos agrícolas. Segundo a Embrapa, o cultivo e a coleta de algas marinhas podem gerar renda para comunidades costeiras e fortalecer cadeias produtivas ligadas à bioeconomia.

A pesquisa é conduzida pela Embrapa Agroenergia em parceria com a empresa CBKK e com apoio da Embrapa.


Com informações da Embrapa

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