O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira (B3), despencou 2,55%, perdendo a marca dos 180 mil pontos (179.284,49 pontos) no pregão desta quinta-feira (12), impactado pela forte alta do petróleo no mercado internacional, com o Brent cotado acima de US$ 100, em meio aos conflitos no Irã e bloqueio prolongado do Estreito de Ormuz.
Para amenizar os impactos no setor de combustíveis brasileiro, o governo anunciou um pacote emergencial com isenção dos impostos de PIS e Cofins sobre o diesel, além da criação de subsídios temporários.
O conjunto de ações deve provocar queda estimada de R$ 0,64 por litro nas refinarias. Desse total, R$ 0,32 virão da isenção de PIS/Cofins e outros R$ 0,32 serão resultado de subvenções diretas ao combustível. O impacto fiscal da iniciativa foi calculado em R$ 30 bilhões.
Além da alta do petróleo, o índice também foi influenciado pelo resultado do IPCA de fevereiro, principal indicador de inflação do país, que avançou 0,70% no mês, superando a expectativa de 0,63% projetada pelo mercado. Com a surpresa inflacionária, a avaliação predominante agora é de um corte mais moderado na taxa de juros, de apenas 0,25 ponto percentual.
Após o desempenho nesta sessão, o Ibovespa acumula queda de 5,03% em março. Apesar da correção recente, o indicador ainda registra alta de 11,27% no acumulado de 2026.
Entre os destaques do pregão, a Petrobras foi a única ação de grande peso no índice a registrar desempenho positivo, com ganhos de 1,45% (ON) e de 0,45% (PN). Já a Vale encerrou o dia em queda de 0,76%, pressionada pelo desempenho das commodities metálicas.
No setor financeiro, as perdas foram mais expressivas. As units do Santander Brasil recuaram 4,44%, liderando as quedas entre os grandes bancos.
Entre os destaques positivos da sessão estiveram a SLC Agrícola, com alta de 4,34%, e a Marfrig, que avançou 3,16%. No extremo oposto do índice, a Yduqs liderou as perdas do dia, com tombo de 14,83%.
No câmbio, o dólar encerrou o dia em alta de 1,61% frente ao real, cotado a R$ 5,24, impulsionado pelo aumento da aversão ao risco após a escalada do conflito no Oriente Médio.
No cenário internacional, em meio nova escalada e incertezas quanto ao fim dos conflitos no Oriente Médio, os mercados globais se preparam para uma interrupção prolongada no fornecimento do petróleo. As preocupações com a demanda levaram os Estados Unidos a flexibilizarem temporariamente as sanções contra a Rússia.
Washington emitiu uma licença válida por um mês, autorizando países a comprarem petróleo russo e derivados que atualmente estão retidos no mar. A autorização tem validade até 11 de abril. Essa é a primeira vez que os EUA relaxam sanções contra Moscou desde o início da Invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022.
Desde o início de março, o petróleo já subiu cerca de 40%, acumulando alta próxima de 70% no ano.
O anúncio também veio um dia após os Estados Unidos informarem a liberação de 172 milhões de barris de petróleo de suas reservas estratégicas. A iniciativa faz parte de um esforço coordenado pela Agência Internacional de Energia (AIE), que pretende injetar cerca de 400 milhões de barris adicionais no mercado global.
Segundo a própria agência, a atual interrupção na oferta representa a maior já registrada na história do mercado mundial de petróleo, ampliando a volatilidade nos preços da energia.
No Brasil, o governo federal também reagiu à pressão sobre os combustíveis. Para equilibrar o impacto fiscal das medidas anunciadas para o diesel — que incluem subvenções e desoneração tributária — a equipe econômica editou uma medida provisória com duração de 120 dias.
A MP estabelece um imposto de 12% sobre a exportação de petróleo, com o objetivo de compensar parte da renúncia fiscal estimada em R$ 30 bilhões decorrente do pacote.
Embora o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, tenha apresentado o conjunto de medidas como fiscalmente neutro, parte do mercado demonstra cautela. A arrecadação com o novo tributo é estimada pelo governo em cerca de R$ 15 bilhões, valor considerado insuficiente por analistas para cobrir integralmente as perdas geradas pelas demais medidas.
A isenção de PIS/Cofins sobre o diesel já foi utilizada em outros momentos de crise no país. Em 2018, durante o governo de Michel Temer, a medida foi adotada para encerrar a greve dos caminhoneiros de 2018.
Mais tarde, em 2022, o então presidente Jair Bolsonaro também zerou os tributos sobre combustíveis, em meio à disparada dos preços provocada pela guerra na Ucrânia.
As Bolsas da Europa caminham para a segunda semana seguida de perdas com a escalada da guerra no Oriente Médio. As ações do setor bancário continuam sendo as mais impactadas.
Na Ásia, os mercados encerraram a semana em queda com a tensão dos conflitos entre EUA e Israel contra o Irã elevando preocupações inflacionárias. Entre os países mais vulneráveis, Japão e Coreia do Sul lideraram as perdas.
O índice Nikkei, do Japão, foi pressionado por queda de mais de 6% da Honda, que previu prejuízo anual por custos de reestruturação no negócio de veículos elétricos.
Em Nova York, os índices futuros ensaiam uma recuperação nesta sexta-feira, enquanto investidores aguardam a divulgação do índice de preços de despesas de consumo pessoal (PCE) de janeiro, principal indicador de inflação acompanhado pelo Fed.
Confira os principais índices do mercado:
Nos EUA, o principal destaque da agenda desta sexta-feira é a divulgação do índice de preços de gastos com consumo, o PCE de janeiro, medida de inflação preferida do Federal Reserve (Fed), que registrou alta de 0,3%, após avançar 0,4% em dezembro.
Além do PCE, a agenda americana inclui ainda a divulgação do relatório de abertura de vagas de emprego, conhecido como Jolts, e a segunda leitura do PIB do quarto trimestre do ano passado, que apontou crescimento de 0,7%.
No campo político e geopolítico, o governo de Donald Trump avalia suspender temporariamente por 30 dias a chamada Lei Jones, segundo informações da Bloomberg. A norma determina que navios responsáveis pelo transporte de mercadorias entre dois portos americanos sejam construídos e pertencentes a empresas dos Estados Unidos.
No campo comercial, a Casa Branca também anunciou uma nova investigação contra o Brasil e outros 59 países, conduzida pelo Representante Comercial dos Estados Unidos. A apuração busca avaliar possíveis vantagens competitivas consideradas desleais, associadas ao uso de trabalho forçado em cadeias produtivas.
Na Europa, os dados mais recentes reforçam sinais de perda de dinamismo. O Reino Unido informou que sua economia ficou estagnada em janeiro, sem crescimento da atividade no período. O resultado veio abaixo da expectativa de alta de 0,2% projetada por analistas.
No Oriente Médio, o novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, afirmou que o Estreito de Ormuz deve permanecer fechado e poderá ser usado como instrumento de pressão contra os Estados Unidos e Israel, ampliando as preocupações sobre o impacto da crise na oferta global de petróleo.
No Brasil, o foco da agenda econômica recai sobre a divulgação da Pesquisa Mensal de Serviços, publicada pelo IBGE. A expectativa do mercado é de crescimento interanual de 2,8%, desacelerando em relação à expansão de 3,4% registrada em dezembro. Na comparação mensal, a projeção aponta alta de 0,1%.
Também hoje, o Ministério da Fazenda apresentará a grade de parâmetros macroeconômicos de março, além de estimativas preliminares sobre os impactos do conflito no Oriente Médio na economia brasileira.
No mercado financeiro, o Banco Central (BC) anunciou para as 9h30 um leilão duplo no mercado cambial. A operação prevê oferta simultânea de dólar à vista e de swap cambial reverso, com valor de até US$ 1 bilhão em cada instrumento.
Segundo analistas ouvidos pela Broadcast, a iniciativa busca aliviar a pressão de curto prazo no cupom cambial, que reflete o custo do juro em dólar no Brasil, após uma redução de liquidez no mercado à vista.
Operadores também apontam que o aumento da aversão ao risco no exterior, diante do avanço das tensões geopolíticas, tem reduzido o fluxo de capital para mercados emergentes, incluindo o Brasil.
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