Por Renata Campedelli* O surgimento das criptomoedas é uma das maiores novidades em tecnologia e finanças do nosso tempo. Mas, para além da empolgação e das notPor Renata Campedelli* O surgimento das criptomoedas é uma das maiores novidades em tecnologia e finanças do nosso tempo. Mas, para além da empolgação e das not

OPINIÃO: Desvendando o mercado de criptomoedas

2026/03/13 02:59
Leu 6 min
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Por Renata Campedelli*

O surgimento das criptomoedas é uma das maiores novidades em tecnologia e finanças do nosso tempo. Mas, para além da empolgação e das notícias sobre seus preços, existe uma tecnologia fascinante e uma matemática engenhosa que fazem tudo isso funcionar.

Para entender uma criptomoeda, primeiro precisamos entender o dinheiro que já usamos. A maioria das moedas que conhecemos, como o dólar ou o real, são chamadas de moedas fiduciárias — a palavra vem de “confiança”. O valor delas não está preso a um bem físico, como o ouro, mas sim na confiança que temos no governo que as emite e na saúde da economia do país.

Antigamente, existiam as moedas lastreadas, cujo valor era garantido por uma quantidade real de um bem, como o ouro guardado em um cofre.

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As criptomoedas criam uma categoria. A maioria delas, como o Bitcoin (BTC) e o Ethereum (ETH), funciona de uma maneira diferente. Elas não têm um lastro físico e não são controladas por um banco ou governo. O valor e a confiança nelas vêm de três pilares tecnológicos:

  • Escassez digital: O código do Bitcoin, por exemplo, define que só existirão 21 milhões de moedas. Essa limitação cria uma escassez parecida com a de metais preciosos, o que ajuda a manter seu valor;
  • Segurança por criptografia: Códigos matemáticos extremamente complexos protegem as transações e garantem que apenas o dono de uma criptomoeda possa usá-la;
  • Acordo coletivo: Todas as regras e a validação das transações são mantidas por uma comunidade global de usuários, em vez de uma única empresa ou banco.

Dentro do universo cripto, existem também as stablecoins, moedas digitais criadas para não sofrerem com a grande variação de preços. Elas são projetadas para manter um valor estável, geralmente atrelado a uma moeda forte como o dólar.

Existem alguns tipos de stablecoins, como as garantidas por moeda fiduciária, a exemplo da Tether (USDT), e as garantidas por commodities, lastreadas em bens físicos, como a PAX Gold (PAXG).

Há também stablecoins garantidas por criptoativos, ou seja, lastreadas em uma cesta de criptomoedas. E existem as stablecoins algorítmicas, que tentam controlar a oferta para manter o preço estável.

Blockchain: o caderno de anotações que ninguém pode apagar

A blockchain é a tecnologia que permite as criptomoedas, funcionando como um registro digital compartilhado e imutável, em que cada bloco representa uma lista de transações encadeadas por códigos únicos.

A segurança e transparência do sistema são garantidas por mecanismos de consenso. No modelo Prova de Trabalho (PoW), mineradores competem para validar blocos e recebem recompensas em criptomoedas. Já na Prova de Participação (PoS), validadores apostam suas moedas para aumentar suas chances de validar blocos — método adotado por redes como Ethereum, Solana e Cardano por ser mais eficiente energeticamente.

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PoW e PoS mantêm a rede segura e funcionando ao validar transações, dificultar ataques e receber novas moedas e taxas como recompensa.

Além do dinheiro: os contratos inteligentes

As criptomoedas deixaram de ser apenas dinheiro digital com a chegada dos contratos inteligentes, popularizados pelo Ethereum. Esses programas automatizam acordos na blockchain sem intermediários.

A inovação permitiu o surgimento das aplicações descentralizadas (dApps) e das finanças descentralizadas (DeFi), que buscam recriar serviços financeiros tradicionais de forma acessível, além dos NFTs, que garantem autenticidade para itens digitais únicos.

Stablecoins e carteiras digitais: o futuro dos pagamentos

A grande variação de preços sempre foi um problema para usar criptomoedas como o bitcoin no dia a dia. As stablecoins resolvem isso. Por terem seu valor atrelado a moedas fortes, elas unem a estabilidade do dinheiro tradicional com a agilidade da tecnologia blockchain. Combinadas com carteiras digitais, elas criam uma forma de pagamento global, rápida e barata.

Tether (USDT) — o gigante controverso

Tether (USDT), lançada em 2014, é a maior stablecoin do mercado. Prometia ser lastreada por dólares em bancos, mas nunca comprovou totalmente suas reservas, que incluíam investimentos de risco. Ainda assim, USDT permanece popular e amplamente usada, especialmente em países com moedas frágeis.

Vantagens no dia a dia

Efetuar pagamentos globais, fazer transferências para qualquer lugar do mundo sem burocracia e muito mais barato do que por meio dos bancos tradicionais, disponível 24/7 e só precisa de um celular, não precisa de conta no banco. Esse é o uso cotidiano das stablecoins.

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Desafios a superar

Apesar do potencial, ainda existem barreiras. Usar carteiras em que você é o único dono da senha pode ser complicado para iniciantes. A segurança também é uma preocupação, com riscos de golpes e roubos. Além disso, os governos ainda estão decidindo como regulamentar as stablecoins, o que cria um cenário de incerteza.

Criptomoedas e atividades ilegais

É verdade que, no início, o pseudoanonimato das criptomoedas atraiu o interesse de criminosos. No entanto, a ideia de que as criptos são um paraíso para atividades ilegais está cada vez mais ultrapassada.

A maioria das transações fica registrada para sempre na blockchain e pode ser rastreada. Hoje, empresas de análise de dados ajudam a polícia a seguir o dinheiro e identificar atividades suspeitas. A discussão sobre o uso indevido da tecnologia é complexa e mereceria um artigo inteiro só para ela.

O futuro é descentralizado?

A tecnologia das criptomoedas está nos forçando a repensar o dinheiro e a internet. A possibilidade de fazer pagamentos globais, baratos e instantâneos já é uma realidade que desafia o sistema financeiro tradicional. Não é à toa que bancos centrais do mundo todo, inclusive o do Brasil com o Drex, estão criando suas próprias moedas digitais.

Independentemente do que acontecer com o preço do Bitcoin, a invenção da blockchain e dos contratos inteligentes já liberou uma onda de inovação que continuará a transformar a tecnologia, as finanças e a própria internet no que muitos estão chamando de Web3.

*Renata Campedelli é diretora de Payments and Service Delivery e associada da Conselheiros TrendsInnovation.

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