A disparada da ação da Copasa, impulsionada pelas expectativas de privatização, já até afastou alguns potenciais interessados na estatal mineira de saneamento. A disparada da ação da Copasa, impulsionada pelas expectativas de privatização, já até afastou alguns potenciais interessados na estatal mineira de saneamento.

Cheque grande na Copasa não assusta Aegea, mas CEO promete disciplina

2026/03/11 17:50
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A disparada da ação da Copasa, impulsionada pelas expectativas de privatização, já até afastou alguns potenciais interessados na estatal mineira de saneamento.

Mas esse não é o caso da Aegea. 

A companhia – que tem como acionistas a Equipav, o GIC e a Itaúsa – está estudando a desestatização e vai aprofundar a análise assim que divulgados todos os detalhes da modelagem, além de avaliar outros leilões previstos no setor.

Pelo que se sabe até o momento, o Governo Romeu Zema buscará um investidor de referência para adquirir ao menos 30% da Copasa – mas não é descartada a venda de 100% do capital de forma dispersa se não aparecer um investidor âncora. 

À espera do leilão, previsto para acontecer ainda no primeiro semestre, a ação da Copasa já sobe 140% em 12 meses, e a empresa agora tem um valor de mercado perto de R$ 20 bilhões. 

Para alguns analistas e executivos do setor de infraestrutura, o valuation “inflacionado” aumenta as chances de a companhia não atrair um investidor estratégico e ter o controle pulverizado no mercado. 

Mas nem todo mundo concorda. 

“Pensando em 30% da empresa, em uma conta grosseira, estaríamos falando de R$ 6 bilhões. E você vai financiar 60%-70% disso. Em equity, é de 30% a 40%. Não é nenhuma coisa desproporcional,” Radamés Casseb, o CEO da Aegea, disse ao Brazil Journal

A Copasa “é um ativo líquido, uma empresa que gera caixa, e que já é conhecida, do ponto de vista de risco. Já é coberta pelo mercado,” disse o CFO da Aegea, André Pires.

No mercado, a aposta é que a Copasa ainda pode atrair o apetite de grupos como a Sabesp, a Perfin, que já tem 12% na companhia, e investidores institucionais. 

Se depender do desempenho passado, a Aegea será uma forte concorrente. 

Desde 2019, o grupo venceu 19 dos 34 leilões de que participou, incluindo concessões, PPPs, e as privatizações da Cedae, no Rio de Janeiro, e da Corsan, no Rio Grande do Sul.

Nas disputas que ganhou, a Aegea calcula ter desembolsado uma outorga média per capita de R$ 918, contra R$ 1.693 de seus concorrentes.

“Dizem que somos agressivos, mas estamos pagando menos (que os rivais pelos ativos),” disse Pires.

No final de fevereiro, a Aegea venceu o primeiro leilão do setor do ano, para serviços de esgoto em Brusque; agora, avalia disputar as PPPs da Saneago, de Goiás, e da Cagepa, da Paraíba, agendadas para 25 e 31 de março. 

A companhia também aguarda potenciais licitações ainda este ano no Ceará, São Paulo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Rondônia. 

A premissa para entrar nos certames é não alterar a trajetória de gradual redução do nível de endividamento. 

A alavancagem financeira da Aegea encerrou o terceiro tri em 3,7x, comparado a 4x no final de 2024. O pico foi 6,3x, em 2021, após a empresa arrematar os blocos 1 e 4 da Cedae com outorgas de mais de R$ 15 bilhões.

“Miramos hoje levar a alavancagem para em torno de 3x,” disse o CFO. “Seria o ideal para trabalhar, nesse mercado onde a taxa de juros é estruturalmente alta e deve continuar assim. Se for um ativo que vá exigir muito capital, temos que buscar alternativas para nos capitalizar para poder participar.” 

Uma opção óbvia seria um IPO, que a companhia já confirmou estar em estudo, embora sem uma decisão sobre o timing

Mas esta não é a única alternativa. No começo do ano, por exemplo, a Aegea levantou R$ 1,2 bilhão dos acionistas GIC e Itaúsa em transações privadas. 

Com essa última capitalização, “a estrutura de capital está equacionada” por ora, e a companhia está se preparando para acessar o mercado quando achar adequado, disse o CFO. 

O valuation atribuído à Aegea pelos sócios foi R$ 40,5 bilhões premoney

Quando a Itaúsa fez seu primeiro aporte na Aegea, em 2021, a empresa foi avaliada em R$ 13 bilhões.

“É um crescimento muito difícil de encontrar no Brasil nesses últimos anos,” disse Pires.Ele estimou que se a Aegea fosse listada por este valuation, ela seria a 27ª entre as companhias com maior valor de mercado da B3, e a sexta maior utility

Para seguir gerando valor, além dos leilões, o grupo vê oportunidades de acelerar a receita de suas operações, ao entregar a universalização de serviços antes do prazo original. 

“Temos dentro de casa um crescimento orgânico muito relevante. Mesmo se não ganharmos mais nenhum ativo a partir de hoje, ainda vamos crescer significativamente o EBITDA nos próximos dez anos,” disse o CFO.

À medida em que avança com a cobertura de serviços em suas operações, a Aegea também consegue capturar retornos maiores. Nas concessões maduras, de Guariroba e Prolagos, a margem EBITDA é de 79% e 77%, contra uma faixa de 35% a 65% no restante do portfólio.

A Aegea atende hoje 892 cidades e mais de 39 milhões de pessoas em 15 Estados, administrando cerca de 370 concessões e PPPs. 

Só nos primeiros três trimestres de 2025, o capex somou R$ 6,3 bilhões, comparado a R$ 5,6 bilhões para todo o ano de 2024. E em 2020, havia sido de apenas R$ 522 milhões – mostrando como o Marco do Saneamento destravou investimentos no setor. 

As consequências disto para os índices de saúde e qualidade de vida das pessoas estão na cabeça de Casseb – há mais de uma década na Aegea e desde 2020 como CEO – particularmente no caso do Rio de Janeiro. 

“Eu sou meio suspeito, gosto de cada pequena conquista,” disse ele. “Mas é claro que falar da recuperação da Praia do Flamengo, que era deserta e agora está ocupada todo dia, e com os imóveis da região dobrando de valor, é um exemplo do que pode ser feito a respeito do saneamento no Brasil.”

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