João Pires chega no posto para abastecer como um cliente comum. De repente, sai do carro com um galão e filma tudo com o celular. “Pode parar!” ele grita para oJoão Pires chega no posto para abastecer como um cliente comum. De repente, sai do carro com um galão e filma tudo com o celular. “Pode parar!” ele grita para o

‘Chip na bomba’ e metanol: as fraudes agora estão crescendo nos postos

2026/02/24 12:35
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João Pires chega no posto para abastecer como um cliente comum. De repente, sai do carro com um galão e filma tudo com o celular. “Pode parar!” ele grita para o funcionário do posto. “Coloca a mangueira aqui. Vamos medir. Isso é uma fiscalização!”

Postando suas blitzen no Instagram, o Secretário municipal de Proteção e Defesa do Consumidor do Rio de Janeiro se tornou o terror dos postos desonestos – e diz que as fraudes estão em alta. 

“E a maioria é totalmente eletrônica. Tornou-se um negócio muito sofisticado,” Pires disse ao Brazil Journal

Representantes do setor de combustíveis dizem que o problema está mesmo crescendo, e atribuem isso em parte ao cerco de autoridades e reguladores às irregularidades fiscais no setor. 

Depois de várias medidas recentes de combate à sonegação de postos e distribuidoras, muitas empresas que antes lucravam com as fraudes tributárias estão mudando de estratégia.

Golpes como o da “bomba baixa” e a mistura de solventes e metanol na gasolina e etanol têm se tornado mais comuns, o Instituto Combustível Legal (ICL) e uma grande empresa do setor disseram ao Brazil Journal

“Fechou um pouco essa brecha (fiscal). Agora o que enxergamos é o recrudescimento das fraudes operacionais,” disse o presidente do ICL, Emerson Kapaz. “Esse tipo de fraude, que era algo mais pontual, começa a ter uma grande dedicação por parte dos agentes que estão sendo asfixiados do outro lado.” 

Um exemplo é o “chip na bomba” – o posto coloca um dispositivo eletrônico que manipula a contagem de litros abastecidos, permitindo entrega de volume menor. 

É uma versão tecnológica do antigo “golpe da bomba baixa”, em que o consumidor era ludibriado com uma manipulação similar, porém de forma mecânica. 

Também tem havido mais casos de mistura de solventes e metanol nos combustíveis, com alguns postos sendo flagrados com 90% de metanol no etanol, disse Kapaz. 

“O setor conseguiu medidas bem firmes na questão tributária, e com isso muitas vezes eles migram para fraude ao consumidor. É o que temos percebido agora,” disse uma fonte de uma grande distribuidora. 

“Isso da ‘bomba baixa’ começou a explodir, está aumentando pra caramba.” 

Contra isso, distribuidoras têm buscado atuar em parceria com órgãos de defesa ao consumidor.

Pires, do Procon carioca, disse que é mais simples para ele fazer autuações, pois outros fiscalizadores precisam seguir regulamentos que exigem comprovar como acontece a fraude, e portanto decifrar os “chips” do golpe.

Algo que ele faz com um simples galão. “Basta mostrar que o consumidor está sendo lesado.”

Antes da fiscalização oficial, Pires passa pelos postos disfarçado, usando um carro equipado com tanques que permitem aferir os volumes abastecidos. Depois, volta e faz o teste “pra valer” naqueles em que a medição não bateu.

Usando um método similar, o ICL intensificou um programa chamado de “cliente misterioso”, em que envia equipes aos postos para fazer testes, disfarçados de clientes comuns.

“Temos no Brasil inteiro nossos furgões rodando. Se começamos a mapear que tem uma ‘zona de calor’ ali, de problema, de fraude operacional, enviamos com um laudo pericial para a ANP (Agência Nacional do Petróleo),” disse Kapaz, do ICL. 

Apesar desses problemas, o setor de combustíveis em geral está otimista com as últimas notícias, como a aprovação da lei do Devedor Contumaz, vista como crítica para o combate à sonegação, e operações policiais como a Carbono Oculto contra os operadores irregulares. 

Segundo Kapaz, isso tem se refletido em aumento dos volumes para os postos de redes de distribuidoras que operam dentro das normas, sejam embandeirados ou de “bandeira branca.” 

O aperto no cerco à sonegação e às ilegalidades no setor também é acompanhado de perto no mercado financeiro, que tem precificado melhoras nas margens das líderes do setor, Vibra, Ultrapar e Raízen.

O analista do Bradesco BBI, Vicente Falanga, comparou o que está acontecendo no Brasil a um amplo pacote de medidas contra irregularidades em combustíveis aprovado na Polônia em 2016. 

“Logo após o pacote entrar em efeito, vendas oficiais de diesel em grandes players legítimos, como PKN Orlen e Lotos, avançaram fortemente, com o desaparecimento de competidores informais,” escreveu Falanga num relatório recente. Ele aposta na Vibra como a principal ação para o investidor que queira capturar um movimento similar no País.

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