O mercado brasileiro inicia a semana com novos avanços, em meio a um cenário global que pode favorecer países emergentes. O Ibovespa acumulou alta próxima de 2% nos cinco últimos pregões, enquanto o dólar recuou para R$ 5,17 e os juros longos no Brasil cederam.
A análise é de Marco Morelli, da Wiser | BTG Pactual, no novo episódio do podcast Perspectivas da Semana, desta segunda-feira (23). Segundo ele, o movimento global do dólar e dos juros americanos pode ter impacto direto sobre a inflação, política monetária e ativos no Brasil.
Confira a análise na íntegra:
Morelli destacou a correlação entre as taxas de juros longas dos Estados Unidos e o comportamento do dólar medido pelo índice DXY. Juros mais altos nos EUA tendem a fortalecer a moeda americana, enquanto movimentos de queda podem enfraquecê-la.
O índice DXY mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de moedas fortes. Quando recua, ativos de países emergentes costumam ganhar espaço, já que o fluxo global busca retornos em mercados com maior prêmio de risco.
Segundo ele, caso os juros de 10 anos dos EUA arrefeçam, o dólar pode continuar perdendo força, abrindo espaço para um ambiente mais favorável ao Brasil.
O mercado ainda dá como certa a manutenção dos juros na próxima reunião do Federal Reserve. No entanto, há apostas de até três cortes até o fim de 2026. Caso o ciclo de flexibilização avance para 2027, as taxas americanas poderiam retornar à faixa próxima de 2%, segundo o cenário apresentado.
Juros mais baixos nos EUA tendem a favorecer ativos de risco globalmente, ao reduzir o retorno dos títulos americanos considerados mais seguros.
No Brasil, o câmbio influencia diretamente a inflação, especialmente via preços de produtos importados e commodities. Uma moeda americana mais fraca tende a reduzir pressões inflacionárias.
O Banco Central considera o câmbio um dos canais relevantes na transmissão da política monetária. Morelli citou o Boletim Focus, que mostrou redução nas expectativas para o IPCA no fim do ano, para o câmbio e também para a Selic.
A projeção para a taxa de juros em 2026 está em 12,13%, com possibilidade de recuo adicional em 2027 caso o cenário externo colabore.
A agenda econômica inclui dados de inflação na zona do euro, estoques de petróleo nos EUA, seguro-desemprego americano e indicadores fiscais e de mercado de trabalho no Brasil, como IPCA-15 (prévia da inflação), dívida bruta e Caged (dados de emprego).
Morelli também destacou o impacto das tarifas comerciais discutidas pelo presidente Donald Trump. Segundo ele, mudanças na política tarifária podem alterar fluxos comerciais e beneficiar países como Brasil e China, dependendo da configuração das alíquotas.
O operador reforçou que o mercado seguirá atento aos dados de crescimento e emprego nos EUA, que são determinantes para as decisões do Fed e para a trajetória do dólar.
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