O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (Psol-SP), afirmou que quer ver um debate sobre segurança pública entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que devem concorrer às eleições presidenciais de 2026. A declaração foi feita na estreia do programa Alô Alô Brasil, apresentado por José Luiz Datena, nesta 2ª feira (23.fev.2026), na Rádio Nacional. Adversários na eleição à Prefeitura de São Paulo em 2024, Boulos e Datena mantiveram tom direto ao tratar do cenário nacional e da campanha de 2026.
“A oposição vive dizendo que quer debater segurança pública na eleição. Eu tô doido pra ver o Lula debater com o Flávio Bolsonaro”, disse o ministro, citando acusações envolvendo o senador, como supostas relações com milícias no Rio, o caso das “rachadinhas” e a contratação de Adriano da Nóbrega, apontado como chefe do chamado “escritório do crime” e morto em 2020. “Vamos botar a ficha corrida aqui?”, afirmou.
Boulos também criticou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), ao comentar a operação na Venezuela que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro (PSUV, esquerda). Disse que é preciso “separar o joio do trigo” e declarou que, se houver preocupação real com organizações criminosas, que se prenda “quem está em mansão em Miami”. Para o ministro, Trump age com lógica “imperialista”, não está interessado em implementar democracia, mas sim em petróleo, e tenta tratar a América Latina como “quintal”. Acrescentou que Lula “não usa boné do Maga (Make America Great Again)” e sustentou que “soberania não se negocia”.
Ao falar de segurança pública, Boulos afirmou que a Constituição de 1988 atribui a responsabilidade principal aos Estados, mas defendeu maior participação da União. Disse que Lula é o 1º presidente a assumir que o crime organizado tem dimensão nacional e criticou setores que, segundo ele, atacam o governo e barram no Congresso a PEC (Proposta de Emenda Constitucional) da Segurança Pública. Declarou ainda que o governo atua contra crimes financeiros em áreas como Faria Lima e Morumbi, em São Paulo, e não só com operações em favelas.
O ministro afirmou que o STF (Supremo Tribunal Federal) teve papel relevante ao “defender o Brasil contra quem queria dar golpe de Estado”, mas ponderou que a Corte não está “acima do bem e do mal”, ao comentar a atuação do ministro Dias Toffoli no caso Banco Master. Também rebateu críticas de bolsonaristas sobre homenagem a Lula feita pela Acadêmicos de Niterói. Disse que a agremiação agiu com autonomia e questionou “qual o crime eleitoral” no caso. O PL acionou o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) dizendo que o desfile extrapolou a manifestação artística e se converteu em “apoteótica peça de marketing político-biográfico e de ataque a opositores”.
Entre as prioridades para o 2º semestre, Boulos citou o fim da escala 6 X 1, com redução da jornada de 44 para 40 horas semanais sem corte salarial, a aprovação da PEC da Segurança Pública e a regulamentação do trabalho por aplicativos. Afirmou que empresas de transporte chegam a reter 50% do valor das corridas e classificou a prática como “agiotagem”.
Sobre 2026, declarou acreditar na reeleição de Lula e disse que participará da coordenação da campanha. Ao comentar especulações sobre o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou que ele “não está em campanha”, por isso “não está apanhando”. Questionado sobre eventual candidatura em São Paulo, evitou antecipar decisões e disse haver “boas opções”.


