Pesquisa com 4.280 adolescentes indica que abstinência dos responsáveis é principal fator de proteçãoPesquisa com 4.280 adolescentes indica que abstinência dos responsáveis é principal fator de proteção

Pais influenciam consumo de álcool dos filhos, diz estudo

2026/02/21 18:00
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O consumo de álcool e outras drogas pelos pais influencia diretamente o padrão de uso entre adolescentes, segundo estudo conduzido por pesquisadores da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo). Ao mesmo tempo, o levantamento indica que a forma como os responsáveis educam os filhos pode reduzir significativamente o risco de problemas.

Segundo o estudo, quando os pais consomem álcool, a probabilidade de os filhos também beberem é de 24%. Há ainda 6% de chance de os adolescentes utilizarem duas ou mais substâncias químicas.

Nos casos em que os responsáveis fazem uso de múltiplas drogas –incluindo álcool, cigarro, vapes e maconha– o risco de os filhos usarem duas ou mais substâncias sobe para 28%.

Já quando os pais não consomem álcool nem outras drogas, 89% dos adolescentes também permanecem abstinentes. De acordo com a professora Zila Sanchez, autora principal do artigo, a abstinência dos responsáveis foi o maior fator de proteção identificado.

Reforçamos o fato de que o padrão de uso de álcool e outras drogas pelos pais influencia o dos filhos. Porém, se eles colocarem regras e limites em casa e derem afeto, esses fatores de proteção minimizam muito o risco que eles mesmos trazem quando consomem essas substâncias”, afirmou a pesquisadora. 

ESTILOS PARENTAIS

Os pesquisadores avaliaram 4 estilos parentais: autoritário, marcado por rigidez, alta cobrança e pouco afeto; autoritativo, que combina acolhimento, diálogo e regras claras; permissivo, caracterizado por afeto com poucos limites; e negligente, definido por distanciamento emocional, pouca supervisão e ausência de regras consistentes.

O modelo considerado mais protetivo foi o autoritativo, caracterizado por presença, vínculo afetivo, diálogo e definição de limites. Já os estilos permissivo e negligente não apresentaram efeito de proteção.

Mesmo assim, os autores afirmam que, ainda em famílias com boas práticas educativas, o consumo frequente de álcool pelos responsáveis segue associado ao uso pelos filhos, especialmente quando o hábito é tratado como algo natural dentro de casa.

CONTEXTO NACIONAL

Dados do Levantamento Nacional de Álcool e Drogas, divulgados em 2025, mostram que 27,6% dos adolescentes de 14 a 17 anos já consumiram álcool ao menos uma vez na vida. No último ano, 19% relataram uso.

O levantamento também indica que mais da metade da população brasileira experimentou álcool antes dos 18 anos, apesar da proibição legal da venda para menores.

Os pesquisadores afirmam que retardar o início do consumo é uma das estratégias mais eficazes para reduzir danos futuros, como doenças crônicas, problemas cardiovasculares e transtornos mentais associados ao uso precoce de álcool.

A pesquisa analisou dados de 4.280 adolescentes e seus responsáveis em 4 municípios do interior paulista (Cordeirópolis, Iracemápolis, Salesópolis e Biritiba-Mirim) com dados coletados de 2023 a 2024. A idade média dos jovens era de 14,7 anos.

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