O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira (B3), encerrou o pregão desta quarta-feira de Cinzas (18) em leve queda de 0,24%, aos 186.016,31 pontos, pressionado pela repercussão da ata do Federal Reserve (Fed) e pelo desempenho negativo da Vale, em um pregão marcado pela volatilidade.
O movimento ganhou força após a ata do Fed revelar que parte dos dirigentes vê espaço para cortes de juros caso a inflação caminhe para a meta de 2% ao ano. Ao mesmo tempo, a maioria avalia que esse processo pode ser mais lento que o esperado.
No cenário doméstico, o principal peso veio da Vale, que caiu 3,57%, limitando o desempenho do índice. A ausência do mercado chinês, fechado até o dia 24 devido ao Ano-Novo Lunar, reduziu as referências para o minério de ferro negociado em Dalian, enquanto em Cingapura, a commodity recuou 0,25%, pressionando as ações da mineradora.
Entre os demais destaques do Ibovespa, a Petrobras avançou 1,11% nas ações ordinárias (ON) e 0,81% nas preferenciais (PN), enquanto no setor financeiro o Bradesco recuou 0,61% (ON) e 0,29% (PN) e o Santander Brasil (Unit) registrou ganho de 1,86%, destoando do setor.
No ranking das maiores altas, destaque para Raízen (+6,35%) e PetroReconcavo (+3,59%). Já as ações do Pão de Açúcar lideraram as perdas, com recuo de 4,55%.
No câmbio, o dólar encerrou o dia em leve alta de 0,2% ante o real, cotado a R$ 5,24, com o baixo volume de negociações no retorno do Carnaval.
No cenário internacional, o feriado do Ano-Novo Lunar mantém a China fora dos mercados, reduzindo a liquidez e pressionando as commodities metálicas. Ao mesmo tempo, as renovadas tensões entre Irã e Estados Unidos reacendem o alerta no mercado de petróleo.
Segundo o Axios, o governo de Donald Trump estaria mais próximo de uma ofensiva militar no Oriente Médio do que muitos imaginam e a operação poderia durar semanas.
À Reuters, um alto funcionário da Casa Branca afirmou que o Irã precisa apresentar por escrito uma proposta para evitar o impasse após as conversas em Genebra. As forças americanas destacadas para a região devem permanecer mobilizadas até meados de março.
Nos Estados Unidos, o foco também se volta para o discurso de quatro dirigentes do Federal Reserve, um dia após a ata da última reunião revelar que alguns membros cogitaram elevar juros caso a inflação não desacelere. A possibilidade de aperto adicional reacendeu o debate sobre o rumo da política monetária.
Entre os dirigentes que falam nesta quinta-feira estão Michelle Bowman, Neel Kashkari, Austan Goolsbee e Mary Daly. Bowman classificou como “estranho” o último relatório de emprego (payroll) e disse que outros indicadores não mostram um mercado de trabalho tão forte, mantendo a preocupação com a dinâmica da mão de obra.
No Brasil, o mercado segue apostando no corte de 0,5 ponto percentual da Selic na reunião de março, apoiado em declarações recentes de Gabriel Galípolo. A expectativa é reforçada pela desaceleração da atividade econômica, confirmada pelo IBC-Br de dezembro, indicador considerado prévia do PIB (Produto Interno Bruto), que revelou queda de 0,2%, após avançar 0,68% em novembro.
A mediana das estimativas do mercado no Projeções Broadcast apontavam para queda de 0,4% no IBC-Br. O enfraquecimento já visto na indústria (-1,2%), nos serviços (-0,4%) e no varejo (-0,4%) indica perda de ritmo consistente diante da Selic em 15% ao ano.
As Bolsas da Europa operam em queda, pressionadas por balanços mistos de empresas como Airbus e Nestlé. O mercado também reage com cautela às tensões entre EUA e Irã, apesar dos sinais de avanço nas negociações entre os dois países.
Na Ásia, em meio ao volume de negociações reduzido devido ao fechamento dos mercados pelo Ano Novo Lunar, as bolsas asiáticas fecharam em alta, acompanhando os ganhos das empresas de tecnologia em Wall Street após a notícia sobre contrato da Nvidia com a Meta.
O índice Nikkei, do Japão, registrou ganho de 0,71%, enquanto o Kospi, da Coreia do Sul, fechou em alta de 3,09%, atingindo novo recorde.
Em Nova York, os índices futuros operam com cautela nesta quinta-feira (19) após a divulgação da ata do Fed e na expectativa pelos resultados do Walmart.
Confira os principais índices do mercado:
Nos EUA, o mercado começa o dia atento aos dados da balança comercial e, principalmente, aos discursos de dirigentes do Federal Reserve, que podem mexer com as expectativas para os juros nos Estados Unidos.
Falam ao longo da manhã Raphael Bostic (10h20), Michelle Bowman (10h30) e Neel Kashkari (11h). Mais tarde, às 12h30, o mercado acompanha o discurso de Austan Goolsbee. As declarações ganham peso um dia após a divulgação da ata da última reunião do Fed.
O documento mostrou decisão quase unânime de manter a taxa básica na faixa de 3,5% a 3,75% em janeiro, mas também reforçou que juros mais altos seguem no radar caso a inflação permaneça acima da meta. O tom elevou a cautela entre investidores.
Na Europa, o noticiário político ganhou destaque. Segundo o jornal Financial Times, a presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, estaria avaliando deixar o cargo antes do fim do mandato, o que abriria espaço para o presidente Emmanuel Macron indicar um sucessor.
No Brasil, a liquidação extrajudicial do banco Pleno, decretada pelo Banco Central (BC), encerra as atividades de mais uma instituição ligada ao conglomerado Master.
Desde novembro de 2025, integrantes e ex-integrantes do grupo já tiveram as operações encerradas. Resta apenas o Banco Master Múltiplo, que segue em Regime Especial de Administração Temporária.
De acordo com o Estadão, a derrocada do Master pode custar quase R$ 60 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) — o maior impacto já registrado em casos do tipo. Somente com ressarcimentos, incluindo o Pleno, o fundo deve desembolsar R$ 51,9 bilhões, além de cerca de R$ 8 bilhões já utilizados em operações de assistência ao longo de 2025.
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