A cidade de Salvador carrega o peso e a glória de ter sido a primeira capital do Brasil, fundada oficialmente em 29 de março de 1549. A escolha do local não foi por acaso; a Coroa Portuguesa precisava de um ponto estratégico e central na costa para administrar a colônia e defender o território contra invasores estrangeiros, principalmente franceses.
Tomé de Sousa, o primeiro Governador-Geral, desembarcou com uma missão clara do Rei Dom João III: construir uma cidade-fortaleza. A topografia de Salvador, com sua divisão natural entre Cidade Alta e Cidade Baixa, oferecia uma vantagem militar incomparável. Do alto da falésia, os canhões podiam proteger a Baía de Todos-os-Santos, uma das maiores e mais seguras do mundo para o atracamento de navios.
Além da defesa, a região possuía solo fértil (massapê) ideal para o cultivo da cana-de-açúcar, que se tornaria o motor econômico do país nos séculos seguintes. A fundação de Salvador marcou a transição das capitanias hereditárias desorganizadas para um governo centralizado, estabelecendo as bases administrativas e jurídicas que regeriam o Brasil por mais de duzentos anos.
Fundada em 1549, Salvador foi a primeira capital do Brasil e centro do poder colonial português
O traçado urbano original de Salvador foi desenhado pelo mestre de pedraria Luís Dias, seguindo modelos renascentistas de cidades ideais. O Pelourinho, hoje Patrimônio da Humanidade, é o maior conjunto arquitetônico colonial da América Latina, preservando igrejas, sobrados e palacetes que contam a história de riqueza e desigualdade do período do açúcar e do ouro.
A tabela abaixo destaca marcos importantes da linha do tempo soteropolitana:
| Ano / Período | Acontecimento Histórico | Impacto na Cidade |
|---|---|---|
| 1549 | Fundação por Tomé de Sousa | Início do Governo Geral |
| 1624-1625 | Invasão Holandesa | Fortificação das defesas |
| 1763 | Transferência da Capital | Rio de Janeiro assume o posto |
A chegada dos portugueses em 1549 também iniciou o processo de miscigenação que define a identidade baiana, infelizmente marcado pela escravidão africana. Salvador se tornou o maior porto de entrada de escravizados nas Américas, o que resultou em uma cultura afro-brasileira vibrante que se reflete na gastronomia, na religião (candomblé e catolicismo) e na música.
Essa herança é visível em cada esquina, desde as baianas de acarajé até os grupos de percussão como o Olodum. A cidade não apenas preservou sua história física nos prédios, mas manteve vivas as tradições imateriais que nasceram desse encontro de povos iniciado no século XVI.
Para quem visita Salvador com foco histórico, o roteiro vai muito além das praias. É preciso caminhar pelas ruas de pedra e entrar nas fortificações que defenderam a capital por séculos. O Elevador Lacerda, por exemplo, não é apenas transporte; é a conexão física entre a área administrativa (alta) e a área comercial (baixa) planejada desde a fundação.
Os pontos obrigatórios para mergulhar em 1549 são:
Fundada em 1549, Salvador foi a primeira capital do Brasil e centro do poder colonial português – Imagem ilustrativa
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Mesmo tendo perdido o título político para o Rio de Janeiro em 1763 e depois para Brasília em 1960, Salvador nunca deixou de ser uma capital moral e cultural do Brasil. A cidade se reinventou através do turismo e da economia criativa, mantendo sua relevância nacional.
A Salvador fundada em 1549 ainda pulsa no coração do Centro Histórico. Visitar a cidade é caminhar sobre os primeiros passos da nação brasileira, entendendo as origens de nossas maiores riquezas culturais e de nossos desafios sociais mais profundos.
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