Ibovespa realiza lucros pelo 2º dia, mas avança quase 2% na semana
Mesmo com realização de lucros nas duas últimas sessões, o Ibovespa encerrou a semana ainda no azul. Nesta sexta-feira (13), o índice caiu 0,69% e fechou aos 186.464,30 pontos, mas acumulou ganho de 1,92% no intervalo. O giro financeiro foi de R$ 33,5 bilhões.
Na quarta-feira, o Ibovespa havia tocado pela primeira vez os 190 mil pontos durante a sessão, consolidando uma escalada de quase 30 mil pontos desde o fechamento de 2025, quando estava na casa dos 161 mil. No mês, o índice sobe 2,81% e, no ano, acumula valorização de 15,73%.
Segundo Tales Barros, líder de renda variável da W1 Capital, o movimento reflete uma combinação rara de fatores técnicos, macroeconômicos e de fluxo. Ele destaca que há sinalização clara de início do ciclo de cortes da Selic em março, com a taxa podendo sair dos atuais 15% para algo próximo de 12,5% até o fim do ano. Para Barros, há também uma recomposição estrutural de portfólios globais em direção a emergentes, com o Brasil voltando ao radar após anos de subalocação.
Cotação do dólar hoje
O dólar fechou em alta de 0,57%, perto de R$ 5,23, mas ainda acumula queda de 0,34% no mês. Na semana, a moeda americana avançou 0,18%.
Fechamento das bolsas americanas:
O cenário externo mostrou leve recuperação em Nova York, mesmo após dados de inflação e balanços corporativos manterem os investidores cautelosos.
Maiores altas e baixas
O principal peso do dia veio de Vale (VALE3), que caiu 2,47% após a divulgação do balanço trimestral. Petrobras (PETR3; PETR4) também recuou, com quedas de 0,23% e 0,59%, respectivamente.
Entre os bancos, o desempenho foi majoritariamente negativo. Itaú (ITUB4) caiu 0,97% e Banco do Brasil (BBAS3) recuou 2,31%, enquanto BTG (BPAC11) destoou e subiu 1,86%.
Na ponta positiva do índice apareceram Eneva (ENEV3), Usiminas (USIM5), Cury (CURY3) e Direcional (DIRR3). Do lado oposto, as maiores quedas foram de Raízen (RAIZ4), BB Seguridade (BBSE3), TIM (TIMS3) e Metalúrgica Gerdau (GOAU4).
Christian Iarussi, economista e sócio da The Hill Capital, resume o movimento como um ajuste de posições antes do feriado prolongado de Carnaval, período em que a B3 ficará fechada e que tradicionalmente reduz o apetite por risco.
A semana, segundo Bruna Sene, da Rico, teve dois momentos distintos: primeiro, recordes consecutivos e o teste dos 190 mil pontos impulsionados pelo fluxo estrangeiro; depois, realização de lucros diante de um ambiente externo mais cauteloso.
Mesmo com o recuo pontual, o Ibovespa preserva boa parte dos ganhos recentes e segue em patamar historicamente elevado, sustentado por fluxo externo, expectativa de queda de juros e reprecificação de ativos brasileiros.
Com Estadão Conteúdo


