Em meio às intenções do governo federal de acelerar os leilões de infraestrutura, alguns dos principais operadores de ativos logísticos do País afirmam que 2026 será, principalmente, um ano de execução daquilo que arremataram nos últimos anos.
É o caso da Motiva (ex-CCR), que, após vender seu portfólio de 20 aeroportos para a mexicana Asur por R$ 11,5 bilhões, está mais “leve” para focar em rodovias e trens, inclusive aumentando os aportes nos ativos.
“Vai ser um ano de um capex entre R$ 8 bilhões e R$ 9 bilhões, depois de R$ 8,7 bilhões no ano passado”, disse Miguel Setas, CEO da Motiva, na terça-feira, 10 de fevereiro, no evento CEO Conference, do BTG Pactual.
“Se voltássemos quatro anos atrás, estávamos fazendo de R$ 1 bilhão a R$ 2 bilhões de capex. Nós quadruplicamos o ritmo de investimento e temos muitas obras para entregar”, completou.
Entre essas obras está a duplicação da Serra das Araras, trecho da Rodovia Presidente Dutra entre São Paulo e Rio de Janeiro, cujas obras foram antecipadas em dois anos, segundo Setas, com previsão de entrega da primeira parte em 2027. Outra é a Rota Sorocabana, no interior de São Paulo, arrematada em 2024, que prevê investimentos de R$ 8,8 bilhões.
“Tudo isso está em marcha, além dos investimentos que ainda temos nos nossos ativos em São Paulo, na área de mobilidade urbana, em particular nas linhas 8 e 9, e também em alguns projetos que ainda estão para ser concluídos”, disse ele.
Na Ecorodovias, estão previstas a execução das obras de duplicação da Ponte do São Raimundo, em Governador Valadares (MG), assim como do trecho da BR-101 entre Bahia e Espírito Santo, além da entrega dos estudos para a construção da terceira ligação de São Paulo ao Porto de Santos, no sistema Anchieta-Imigrantes.
Segundo Marcello Guidotti, CEO da Ecorodovias, essas iniciativas vêm após um forte ciclo de expansão, com investimentos em muitas concessões, conquistando sete novas nos últimos sete anos e triplicando a quantidade de quilômetros sob gestão.
“Nesses últimos anos tivemos que quebrar um pouco o medo do mercado, porque fomos os primeiros operadores a ter uma contratação de capex bilionária à frente, R$ 50 bilhões. Nos últimos quatro anos já realizamos R$ 17 bilhões em entregas e estamos entrando num ciclo de aproximadamente R$ 5 bilhões por ano", disse o CEO.
"O grande desafio da Ecorodovias foi ter um portfólio com crescimento acelerado e conseguir entregar de forma constante, cumprindo os contratos de concessão”, complementou Guidotti.
O foco em entregas também está presente na Rumo, que neste ano conclui a primeira fase da ferrovia em Mato Grosso, com 170 quilômetros, visando atender à demanda de escoamento do agronegócio na região, além da inauguração de um novo terminal em Primavera do Leste, com capacidade de 10 milhões de toneladas de grãos.
“Esse talvez seja o marco mais transformacional para nós neste ano de 2026”, disse Pedro Palma, CEO da Rumo. “Mas será também um ano importante, porque temos que resolver definitivamente a questão da Malha Oeste, da devolução da Malha Oeste, já que será a primeira ferrovia com contrato chegando ao fim.”
Mais leilões
Esses investimentos devem ocorrer em paralelo à intenção do governo federal de realizar cerca de 20 certames de rodovias e ferrovias. Presente no evento do BTG Pactual, o ministro dos Transportes, Renan Filho, afirmou que o Brasil deve registrar um total de R$ 35 bilhões em investimentos em infraestrutura, considerando aportes públicos e privados.
“O Brasil está em máxima histórica de investimento em infraestrutura e isso certamente significará mais crescimento econômico adiante, sobretudo quando somado ao cenário internacional, em que os países maiores estão em déficit fiscal elevado, espalhando capital, aumentando o risco, e em ambiente de guerra, enquanto nós temos um ambiente mais tranquilo”, disse o ministro.
Já o ministro Silvio Costa Filho, de Portos e Aeroportos, destacou que a pasta fará neste ano “o maior leilão da história do Brasil” do terminal de contêineres Tecon Santos 10, no Porto de Santos, após realizar 25 concessões nos últimos três anos. O edital deve sair nos primeiros dez dias de março.
Segundo ele, a previsão é encerrar o mandato atual do presidente Lula com 40 concessões. “Ao longo do ano de 2026, nós faremos 19 leilões no setor portuário”, afirmou.
O ministro destacou ainda que o governo está comprometido com a pauta de concessões. “Temos hoje grandes projetos. Dentro do que está precificado pelo governo, há uma carteira para 2026 com mais de 80 leilões, incluindo energia, saneamento, rodovias, ferrovias, hidrovias, portos e aeroportos”, disse o ministro Costa.


