O outrora maior estaleiro privado da China está prestes a ser revitalizado, com a Wuhu Shipyard planejando arrendar as instalações, há muito ociosas, para expandir a produção, segundo fontes da Caixin.
O acordo permite que a Wuhu Shipyard, a maior construtora naval da província de Anhui, amplie sua capacidade de construir embarcações com mais de 100 mil TPB (toneladas de porte bruto). O negócio destaca os esforços para reativar ativos industriais “zumbis”, à medida que a demanda global por novas embarcações preenche as carteiras de encomendas dos principais estaleiros.
Em janeiro, a Wuhu Shipyard estabeleceu uma equipe de projeto em Nantong, onde as instalações estão localizadas, e investiu capital e pessoal significativos para garantir que o projeto iniciasse a produção dentro do prazo. O estaleiro de Nantong pertence à China Huarong Energy, mais conhecida por seu antigo nome, Jiangsu Rongsheng Heavy Industries.
“Os preparativos para reativar a capacidade da Rongsheng Heavy Industries estão basicamente concluídos, e o 1º grupo de funcionários se mudará em breve”, disse uma pessoa familiarizada com o assunto.
A Caixin apurou que o estaleiro Wuhu aluga principalmente as docas secas e instalações de produção adjacentes da Rongsheng para a montagem de grandes seções e megablocos, bem como para trabalhos de instalação em doca.
A empresa parceira Nantong Ronghuang ficará responsável pela fabricação e pré-processamento da estrutura de aço. Fontes informaram à Caixin que a Nantong Ronghuang está ligada a Zhang Zhirong, fundador e ex-controlador da Rongsheng.
Revitalizar a enorme capacidade produtiva da Rongsheng “foi uma decisão baseada” na “estratégia de desenvolvimento” do estaleiro e ”na demanda do mercado”, disse uma fonte do Wuhu à Caixin.
“A tendência de construção de embarcações maiores é de longo prazo, e ter a capacidade de construir grandes navios aumentará a competitividade da empresa no mercado”, declarou. A fonte afirmou que o projeto recebeu apoio do governo local de Nantong.
O estaleiro Wuhu está mirando encomendas da gigante mineradora brasileira Vale, que, segundo fontes, está se preparando para encomendar dezenas de grandes navios-tanque na faixa de 210 mil a 320 mil TPB. Com os principais estaleiros capazes de construir embarcações desse porte atualmente saturados, Wuhu pretende abocanhar uma parcela desses contratos lucrativos.
Alguns observadores do setor questionaram se a Wuhu Shipyard –tradicionalmente focada em embarcações com menos de 80.000 TPB, como navios cargueiros de automóveis e petroleiros químicos– possui a maturidade técnica para entregar navios ultragrandes.
No entanto, fontes afirmaram que a cadeia de suprimentos da construção naval chinesa é madura e que a Wuhu Shipyardu acumulou talentos suficientes. Notavelmente, Chen Qiang, ex-presidente da Rongsheng, atua atualmente como diretor em uma subsidiária da Wuhu Shipyard, conforme apurado pela Caixin.
O estaleiro Rongsheng foi fechado há mais de uma década por causa da crise do mercado e de uma dívida enorme. Em seu auge, detinha a maior carteira de encomendas do país e empregava quase 40.000 pessoas.
Depois de uma ruptura no fluxo de caixa em 2015, a empresa passou por uma reestruturação massiva, incluindo a expansão de serviços de campos petrolíferos no exterior e uma conversão de dívida em ações envolvendo grandes credores como o Banco da China e o Banco Minsheng.
Diversas tentativas de revitalizar os ativos ociosos de construção naval da Rongsheng fracassaram, incluindo uma aquisição planejada pela estatal China Forestry Group.
Fontes familiarizadas com o assunto afirmaram que os esforços de revitalização da gestão original falharam devido à limitada confiança do governo e do mercado, decorrente de sua responsabilidade pelo fechamento do estaleiro.
O arrendamento das instalações para uma operadora terceirizada profissional, como a Wuhu Shipyard, é considerado uma solução mais viável para finalmente desbloquear o valor dos ativos congelados da Rongsheng, acrescentaram.
Esta reportagem foi originalmente publicada em inglês pela Caixin Global em 9.fev.2026. Foi traduzida e republicada pelo Poder360 sob acordo mútuo de compartilhamento de conteúdo.


