A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, renovou sua promessa de suspender por dois anos o imposto de 8% sobre as vendas de alimentos após uma vitória histórica nas eleições legislativas deste domingo (8). A medida, defendida por Takaichi como suporte ao orçamento das famílias diante da alta de preços, passa agora a ter maior viabilidade política com a composição do novo parlamento.
Apoiado na proposta de aliviar o custo de vida, o Partido Liberal Democrático (LDP), de Takaichi, deve conquistar mais de 310 das 465 cadeiras na Câmara Baixa, segundo projeções oficiais.
Essa maioria de 2/3 não era registrada por um único partido japonês desde a Segunda Guerra Mundial. A coalizão governista ampliada alcançou mais de 340 assentos.
De acordo com a emissora pública NHK, o LDP sozinho obteve 316 cadeiras, um aumento expressivo em relação às 191 obtidas em 2024.
O resultado fortalece o poder de Takaichi dentro do Congresso e amplia o espaço para propostas de estímulo na política fiscal.
Sanae Takaichi afirmou nesta segunda-feira (9) que levará adiante o plano para enfrentar a crise do custo de vida e zerar por dois anos o imposto sobre o consumo de alimentos, hoje em 8%.
Em entrevista coletiva após a votação, Takaichi declarou que o governo procurará partidos de oposição dispostos a cooperar para formar um conselho nacional multipartidário. O grupo terá a missão de apresentar, antes do verão, um relatório provisório com a estrutura básica do corte orçamentário necessário para viabilizar a iniciativa.
Segundo a premiê, a suspensão será financiada por meio da revisão de subsídios, de ajustes em medidas fiscais especiais e também pela obtenção de receitas não tributárias.
Ela classificou a desoneração como uma “ponte temporária” até a implementação de um sistema de crédito tributário reembolsável, projetado para reduzir a carga sobre contribuintes de renda média e baixa.
“Devemos tirar o Japão de uma política fiscal excessivamente rígida e da falta de investimentos”, disse Takaichi.
Ela também afirmou que queria um mandato claro dos eleitores para implementar uma política fiscal que, segundo ela, mudaria de forma significativa a economia japonesa.
Em um aparente voto de confiança à agenda econômica da premiê, o mercado acionário japonês atingiu níveis recordes após a vitória eleitoral do Partido Liberal Democrático (PLD), liderado pela primeira-ministra Sanae Takaichi. .
O resultado ampliou as expectativas de continuidade da política econômica e aumentou a probabilidade de medidas de estímulo.
O índice Nikkei 225 chegou a subir mais de 5% no início do pregão, superando pela primeira vez os 57 mil pontos. Ao longo do dia, reduziu os ganhos e encerrou em alta de 3,9%, aos 56.363,94 pontos, seu novo recorde de fechamento.
No mercado de renda fixa, os títulos de longo prazo reverteram fraqueza inicial, sinalizando menor aversão ao risco frente à perspectiva de políticas pró-crescimento.
O iene subiu após uma advertência verbal da principal autoridade cambial do Japão, movimento que sugere sensibilidade dos mercados a declarações de política monetária.
O desempenho do LDP contrasta com seus dois antecessores, sob os quais o partido perdeu a maioria parlamentar devido a escândalos e pressões internas.
Com ampla representação, o LDP e seu parceiro de coalizão, o Partido da Inovação do Japão, terão os votos necessários para presidir todas as comissões da Câmara Baixa, reforçando o controle sobre a agenda legislativa.
Em contrapartida, o maior partido de oposição, a Aliança Reformista Centrista, perdeu mais de 100 das suas 167 cadeiras, enfraquecendo o bloco crítico à agenda de Takaichi.
O resultado eleitoral dá a Takaichi um novo mandato político para enfrentar desafios estruturais, como o envelhecimento acelerado da população, o aumento do custo de vida, a desvalorização do iene e a deterioração das relações com a China.
Takaichi se tornou a primeira mulher a ocupar o cargo de primeira-ministra do Japão. Ela assumiu a liderança do LDP em outubro, após a renúncia de seu antecessor, Shigeru Ishiba, em meio a sucessivas derrotas eleitorais do partido.
Eleita primeira-ministra em 21 de outubro (em sua terceira tentativa) Takaichi dissolveu o parlamento em janeiro em uma jogada que ela mesma qualificou como “profundamente importante”, destacando que isso colocava sua própria posição em risco.
Durante a campanha, ela insistiu que a redução do imposto seria uma forma de aliviar a pressão sobre as famílias em meio ao aumento dos preços de bens essenciais.
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