Microsoft tem queda acentuada no valor de suas ações por conta dos altos investimentos em IA — Foto: Getty Images
A apreensão de Wall Street com o custo do desenvolvimento da tecnologia de inteligência artificial vem fervilhando sob a superfície do mercado de ações há meses. Agora está começando a transbordar, expondo a fragilidade da bolha de IA.
A Microsoft Corp. divulgou resultados sólidos na quarta-feira (26), mas, segundo a Bloomberg, os investidores se concentraram na estagnação de seu negócio de computação em nuvem, a Azure, e nos mais de US$ 100 bilhões que se estima que a empresa desembolse em gastos de capital este ano. No dia seguinte (27), as ações caíram 10%. As vendas em baixa continuaram na sexta-feira, fazendo com que a empresa perdesse US$ 381 bilhões (cerca de R$ 2 trilhões) em valor de mercado em duas sessões. No fim das contas, a Microsoft registrou sua pior semana desde março de 2020.
"Em um mundo normal, os resultados divulgados na quarta seriam muito bons. Mas considerando a escala dos gastos, os investidores esperam que a empresa alcance suas metas", disse à Bloomberg Josh Chastant, gestor de portfólio de investimentos públicos da GuideStone Funds, que detém uma participação na Microsoft.
Algo parecido aconteceu com a Meta Platforms Inc., que previu o crescimento trimestral de receita mais rápido em quatro anos. Os investidores reagiram fazendo com que as ações disparassem 10% na quinta-feira, registrando seu melhor dia desde julho, mesmo com a empresa também anunciando planos de aumentar os investimentos em até 87% em 2026. Essa realidade pareceu se consolidar na sexta-feira, quando as ações recuaram 3%, registrando seu pior dia desde 30 de outubro.
Essas quedas expõem a corda bamba cada vez mais estreita em que as grandes empresas de tecnologia estão se equilibrando, três anos após o início de uma alta construída sobre a aposta de que seus recursos financeiros e investimentos agressivos as colocariam na vanguarda da próxima tecnologia transformadora. A verdade é que os investidores podem tolerar gastos massivos, desde que haja crescimento para sustentá-los. Caso contrário, as empresas devem se preparar para serem punidas.
"Estamos em uma era na qual a monetização dos investimentos em IA precisam ser concretizados para que as avaliações das ações de tecnologia sejam justificadas", disse Chastant, cuja empresa administra cerca de US$ 24 bilhões.
Essa lição estará em destaque para os profissionais do mercado esta semana, na qual grandes investidoras em IA, como Alphabet e Amazon, irão divulgar seus resultados. Espera-se que essas duas empresas, juntamente com a Microsoft e a Meta, gastem mais de US$ 500 bilhões em despesas de capital este ano, de acordo com dados compilados pela Bloomberg, com grande parte destinada à infraestrutura de computação de IA.
As expectativas são mais altas para a Alphabet, que tem sido de longe a ação com melhor desempenho entre as sete grandes nos últimos seis meses, com um ganho de mais de 70%. Essa alta foi impulsionada pelo sucesso do modelo de IA Gemini, do Google, e pelo entusiasmo em relação aos seus processadores de IA personalizados, que devem ajudar a impulsionar o crescimento da computação em nuvem.


