O Nubank deu um passo decisivo em sua expansão internacional ao receber, nos Estados Unidos, a aprovação condicional do Office of the Comptroller of the Currency (OCC) para criar um banco nacional próprio, o Nubank, N.A.. A decisão, anunciada nesta quinta-feira, marca uma mudança relevante na estratégia da instituição. Agora, o Nubank passa a buscar espaço no mercado financeiro mais competitivo do mundo. Além disso, mantém o foco nos países onde já lidera o setor digital.
Assim, a autorização permite que o Nubank avance na criação de uma instituição totalmente nova sob um marco regulatório federal abrangente, responsável por supervisionar bancos de alcance nacional. Com isso, o grupo poderá lançar contas de depósito, cartões de crédito, produtos de crédito e serviços de custódia de ativos digitais nos Estados Unidos. Isso só acontecerá caso obtenha as aprovações restantes.
David Vélez, fundador e CEO da Nu Holdings, afirmou que essa etapa “não representa apenas uma expansão, mas a chance de provar que um modelo digital e centrado no cliente pode transformar o sistema financeiro global”. De acordo com ele Brasil, México e Colômbia continuam sendo mercados prioritários. No entanto, destacou que o movimento nos EUA abre espaço para construir “a próxima geração de serviços bancários”.
A operação norte-americana será liderada por Cristina Junqueira, cofundadora do Nubank, que se mudou para os Estados Unidos para comandar o projeto. Já o conselho do novo banco terá como presidente Roberto Campos Neto, ex-comandante do Banco Central do Brasil. Ele é uma figura central na modernização regulatória do sistema financeiro brasileiro.
Junqueira ressaltou que receber a aprovação federal “é um passo importante na construção de uma instituição sólida, competitiva e totalmente regulada nos EUA”. Segundo ela, o objetivo é levar aos consumidores americanos a mesma experiência simples e transparente. Essa experiência já foi aprovada por mais de 127 milhões de clientes em outros países.
Depois da aprovação condicional, o Nubank entra na fase de organização da instituição, em que precisa atender a condições impostas pelo OCC e concluir outras autorizações necessárias junto à FDIC e ao Federal Reserve. A empresa terá até 12 meses para capitalizar o novo banco e até 18 meses para abrir as operações. Isso ocorre conforme determinam as regras norte-americanas. O processo começou em 30 de setembro de 2025. Foi nessa data que o Nubank protocolou sua solicitação oficial.
A decisão nos EUA reforça o histórico do Nubank de operar sob padrões regulatórios rigorosos. No México, a subsidiária Nu Mexico recebeu autorização para se organizar como banco em 2025 e aguarda a liberação final. No Brasil, a empresa atua como instituição regulada desde 2016 e pretende obter uma licença bancária completa em 2026. Listada na Bolsa de Nova York desde 2021, a Nu Holdings segue ampliando presença em mercados estratégicos.
Além disso, o plano americano também acompanha a expansão física da empresa, que pretende consolidar hubs em Miami, Bay Area, Virgínia do Norte e Carolina do Norte, regiões tecnológicas que concentram engenheiros, reguladores e infraestrutura financeira relevantes para sua operação.
Fundado em 2013, o Nubank se tornou um fenômeno global ao combinar tecnologia e simplicidade. Hoje, soma mais de 127 milhões de clientes e já é a maior instituição financeira privada do Brasil em número de usuários. No terceiro trimestre de 2025, atingiu receita de US$ 4,2 bilhões. Isso representa um avanço de 39% em relação ao ano anterior, além de manter um índice de engajamento superior a 83%.
O reconhecimento internacional também cresce. A empresa já integrou o Time 100 Most Influential Companies, recebeu prêmios da Fast Company, da Latin Finance e da Forbes. Além disso, figura entre as marcas bancárias mais fortes do mundo, segundo a Brand Finance. Agora, passa a mirar o público norte-americano em um momento estratégico. Ainda anunciou uma parceria de múltiplos anos com a Mercedes-AMG PETRONAS F1 Team a partir de 2026, reforçando sua ambição global.
Com a aprovação do OCC, o Nubank entra em uma nova fase. O banco digital busca provar que seu modelo, amplamente testado na América Latina, pode competir em um mercado historicamente dominado por gigantes tradicionais. Além disso, é um mercado marcado por forte supervisão regulatória.
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