Reencontro de Julie e Walker — Foto: Reprodução/Kent County Animal Shelter
Uma mulher de Michigan, nos Estados Unidos, viveu, no início deste ano, o desfecho que parecia improvável após mais de 12 meses de incerteza. Julie recebeu a ligação que aguardava desde o verão de 2024: Walker, seu cachorro desaparecido, havia sido encontrado vivo e saudável a cerca de 80 quilômetros de distância, graças à identificação por microchip.
Walker, um cão de médio porte, branco e peludo, viveu com Julie por seis anos antes de desaparecer de casa, no norte do estado. A ausência deu início a uma longa busca marcada por meses de angústia, esperança e tentativas frustradas de reencontro. O silêncio só foi quebrado quando o animal deu entrada como cão de rua no abrigo do Condado de Kent, em Grand Rapids.
Durante a triagem de rotina, funcionários do abrigo escanearam o animal e localizaram um microchip com nome e contato registrados. A ligação feita pela equipe revelou que o cachorro que abanava o rabo diante deles pertencia a Julie, que percorreu dezenas de quilômetros para revê-lo. Segundo o abrigo, assim que ela atravessou as portas, não houve dúvida de que os dois se reconheceram.
“Ficamos todos muito felizes que, depois de tanto tempo separados, esses dois pudessem se reencontrar. Foi realmente a melhor maneira de começar o ano novo”, afirmou Angela Hollinshead, diretora do abrigo, em entrevista à Newsweek. Imagens do momento, divulgadas nas redes sociais, mostram Walker pulando em direção à tutora e fixando os olhos nela “como se nenhum tempo tivesse passado”, segundo a equipe.
A história foi compartilhada para reforçar a importância da microchipagem de animais de estimação. De acordo com dados da Human Animal Support Services, pets com microchip têm, em média, três vezes mais chances de voltar para casa do que aqueles sem identificação eletrônica. Ainda assim, um estudo com 17 abrigos financiados pelo governo mostrou que apenas 18% dos animais de rua chegam aos locais com microchip — cerca de um em cada seis.
Em 2024, o Condado de Kent inaugurou uma estação de microchipagem e leitura que funciona 24 horas por dia, em frente ao Campus Norte do abrigo, em Cedar Springs, iniciativa noticiada pela Fox 17 News. A medida busca facilitar o reencontro de animais perdidos com seus donos, especialmente em regiões mais afastadas. Segundo Hollinshead, dificuldades de transporte e a impossibilidade de faltar ao trabalho são obstáculos frequentes para a recuperação dos pets.
O abrigo também alerta para o aumento de 200% no número de cães abandonados desde 2019 e destaca que coleiras e etiquetas podem se perder com o tempo. “Um microchip não maior que um grão de arroz pode ser o caminho de volta para casa”, escreveu a instituição. “Julie teve uma segunda chance. Nem toda história termina assim.”


