O mercado de criptomoedas registra movimento de queda significativa nesta segunda-feira, 26 de janeiro de 2026, com o Bitcoin caindo para US$ 86 mil e o Ethereum recuando abaixo de US$ 2.800. A volatilidade reflete uma combinação de fatores geopolíticos, pressões econômicas globais e mudanças regulatórias que moldam o cenário cripto em 2026.
O Bitcoin atingiu uma mínima de US$ 86 mil nas primeiras horas de hoje, negociando atualmente em torno de US$ 86.364 a US$ 86.683, com queda de aproximadamente 1% nas últimas 24 horas. A criptomoeda consolidou-se abaixo de US$ 90 mil no domingo, 25 de janeiro, quando fechou em US$ 88.878.
Dados da plataforma de previsões Polymarket indicam que há 72% de probabilidade de o Bitcoin cair para US$ 85 mil até o final de janeiro, com apenas 13% de chance de queda para US$ 80 mil. Os analistas apontam suporte em US$ 85 mil a US$ 88 mil e resistência em US$ 91 mil a US$ 92.500.
Na semana, o Bitcoin recua 6,82%, enquanto o índice de medo e ganância do mercado permanece neutro em 35 pontos, sinalizando cautela entre investidores.
O Ethereum caiu para US$ 2.787, negociando agora em US$ 2.801, com queda de 12% na semana. As taxas de funding negativas em exchanges centralizadas e descentralizadas indicam pessimismo generalizado entre traders alavancados.
Outras criptomoedas também enfrentam pressão: Solana (SOL) cai 11,24%, Cardano (ADA) recua 10,03% e Dogecoin (DOGE) perde 10,68% na semana. A capitalização total do mercado cripto permanece em torno de US$ 3,01 trilhões.
O contexto geopolítico atual contribui significativamente para a pressão nos preços das criptomoedas. Obstáculos ao crescimento econômico chinês, disputas comerciais entre EUA e União Europeia, e incertezas políticas globais criam um ambiente de aversão ao risco.
Surpreendentemente, o Bitcoin caiu 13% durante o primeiro ano do segundo mandato de Trump, contrariando expectativas de valorização que muitos analistas tinham quando o presidente assumiu o cargo. Apesar de ter atingido um máximo histórico em outubro de 2025, a criptomoeda não conseguiu manter os ganhos.
Especialistas destacam que a volatilidade atual reflete não apenas dinâmicas do mercado cripto, mas também incertezas econômicas mais amplas que afetam todos os ativos de risco.
Em desenvolvimento significativo para o mercado brasileiro, o Banco Central publicou a Instrução Normativa nº 701/2026 em 22 de janeiro, elevando substancialmente os padrões regulatórios para exchanges e prestadores de serviços de ativos virtuais (PSAVs). As novas regras entram em vigor em 2 de fevereiro de 2026.
Principais requisitos da nova regulação:
A regulação aproxima o setor cripto do mercado financeiro tradicional, promovendo maior confiança institucional. No entanto, associações como a ABcripto alertam para riscos de concentração de mercado, redução de concorrência e possível judicialização.
Em contrapartida às exigências regulatórias, o Projeto de Lei 311/25 avança no Congresso Nacional, garantindo o direito de autocustódia. Essa legislação permitirá que cidadãos mantenham controle direto de seus ativos criptográficos sem necessidade de intermediários, equilibrando regulação com liberdade individual.
Apesar da volatilidade de preços, o setor de Web3 registra um “rush de talentos” em janeiro de 2026. Mais de 460 vagas full-time foram postadas em plataformas principais, impulsionadas pela confiança institucional após a clareza regulatória.
Instituições financeiras tradicionais contratam agressivamente engenheiros de blockchain para infraestrutura de stablecoins e depósitos tokenizados. Os salários médios para desenvolvedores nos EUA atingem US$ 105 mil anuais, com empresas como Binance expandindo em compliance, operações e papéis técnicos.
A blockchain Tezos ativou com sucesso a atualização Tallinn em 25 de janeiro, reduzindo o tempo de blocos para 6 segundos. A melhoria visa aumentar a escalabilidade da rede e melhorar a experiência do usuário.
O Fórum Econômico Mundial de Davos 2026 reacendeu debates sobre tokenização de ativos. Brian Armstrong, CEO da Coinbase, e outros líderes da indústria defendem a integração de ativos tokenizados ao sistema financeiro global, destacando ganhos de eficiência.
No entanto, questões de soberania e regulação permanecem centrais nas discussões, com governos buscando equilibrar inovação com proteção de seus sistemas financeiros nacionais.
Analistas apontam que o Bitcoin pode consolidar-se em uma faixa entre US$ 85 mil e US$ 92.500 até o final de janeiro. Um cenário bullish dependerá da manutenção acima de US$ 89 mil, enquanto quedas abaixo de US$ 88 mil sinalizariam pressão bearish contínua.
A convergência de fatores geopolíticos, regulatórios e técnicos sugere que o mercado cripto permanecerá volátil nas próximas semanas, com investidores monitorando atentamente desenvolvimentos políticos globais e anúncios regulatórios.
O mercado de criptomoedas em janeiro de 2026 reflete a maturação do setor, com regulação mais rigorosa no Brasil e harmonização regulatória nos EUA convivendo com volatilidade de preços impulsionada por tensões geopolíticas. Enquanto o Bitcoin enfrenta pressão de curto prazo, a adoção institucional continua avançando, com mercado de trabalho aquecido e inovações técnicas em desenvolvimento.
Investidores e participantes do mercado devem acompanhar de perto os desenvolvimentos regulatórios, especialmente a implementação das novas regras brasileiras em fevereiro, e as dinâmicas geopolíticas que continuam moldando o sentimento do mercado global.


