Associações que representam vítimas de grandes tragédias no Brasil criaram, em Brumadinho (MG), o movimento “Unidas por Justiça” e divulgaram uma carta ao Judiciário e à população brasileira. O encontro foi realizado na 6ª feira (23.jan.2026) e integrou a agenda dos 7 anos do rompimento da barragem da Vale no município. Eis a íntegra da carta (PDF – 4 MB).
O evento reuniu entidades ligadas a diferentes desastres socioambientais no país. Segundo as organizações, o objetivo é fortalecer a articulação nacional e unificar estratégias para cobrar avanços nos processos judiciais. O documento critica a lentidão das ações e pede mais celeridade e efetividade nas decisões.
As associações afirmam que a demora no julgamento e no cumprimento de determinações judiciais mantém vítimas e familiares em situação de insegurança jurídica e social. A carta cobra prioridade na tramitação dos casos e medidas para assegurar reparação integral, indenizações e responsabilização das empresas envolvidas.
As entidades também defendem a criação de mecanismos permanentes de diálogo com o sistema de Justiça e com órgãos públicos para acompanhar o andamento dos processos e evitar novos atrasos.
O Poder360 lista abaixo as entidades signatárias e os episódios que motivaram sua criação:
Em 8 de fevereiro de 2019, um incêndio atingiu o alojamento das categorias de base do Flamengo, no Rio de Janeiro, e matou 10 jovens atletas. Em 4 de fevereiro de 2025, o clube concluiu os acordos de indenização com todas as famílias. Em 21 de outubro de 2025, a Justiça absolveu 7 réus por falta de provas de responsabilidade criminal.
A barragem da Vale se rompeu em 25 de janeiro de 2019, em Brumadinho, causando 270 mortes. Em janeiro de 2023, a Justiça Federal aceitou denúncia do Ministério Público Federal contra acusados. Até o momento, não há condenação definitiva.
O incêndio na boate Kiss, em 27 de janeiro de 2013, matou 242 pessoas. Em abril de 2025, o STF manteve as condenações dos réus, com penas de até 22 anos de prisão.
O rompimento da barragem da Samarco ocorreu em 5 de novembro de 2015 e matou 19 pessoas. Em novembro de 2024, o STF homologou acordo cível de R$ 170 bilhões para reparação. Relatório de junho de 2025 indicou repasses a vítimas e entes públicos.
Criado em 2012, o movimento atua na organização de comunidades impactadas pela mineração e está presente em 9 Estados e no Distrito Federal.
Desde 2018, a extração de sal-gema em Maceió (AL) levou à desocupação de mais de 14.000 imóveis. Em maio de 2024, a Procuradoria Geral da República manteve a validade do acordo firmado pela empresa. As apurações criminais seguem em tramitação, sem condenações definitivas.


