vacina — Foto: Getty Images
O Ministério da Saúde deu início, neste fim de semana, à vacinação em massa contra a dengue com o imunizante de dose única do Instituto Butantan em três cidades do Brasil: Maranguape, no Ceará, Nova Lima, em Minas Gerais, e Botucatu, em São Paulo. A estratégia busca imunizar todos de 15 a 59 anos desses municípios como parte de um projeto para avaliar o impacto populacional da vacina na transmissão da arbovirose.
— Neste fim de semana, essas cidades iniciaram a convocação de toda a população de 15 a 59 anos para se vacinar nas unidades de saúde. Se alcançarmos entre 40% e 50% de cobertura vacinal, além da proteção individual, a vacina pode ter um impacto significativo no controle da dengue em toda a cidade — disse o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante o início da vacinação em Botucatu, no domingo.
Segundo o secretário-executivo da pasta, Adriano Massuda, que esteve no lançamento do projeto em Maranguape, no sábado, as três cidades foram escolhidas por terem população entre 100 mil e 200 mil habitantes e uma rede de saúde estruturada, que “permite implementar a vacina e avaliar seu impacto na imunização da população e na circulação do vírus na comunidade”.
A metodologia é semelhante à adotada para investigar o efeito da vacinação com a dose contra a Covid-19 da Oxford/Astrazeneca também em Botucatu e com a Coronavac em Serrana, São Paulo. Para o projeto da dengue, ao longo de um ano análises serão conduzidas para avaliar a incidência da dengue e possíveis eventos adversos raros após a imunização.
Na primeira etapa, 204,1 mil doses serão distribuídas entre os três municípios: 60,1 mil para Maranguape, 64 mil para Nova Lima e 80 mil para Botucatu. O quantitativo é suficiente para a vacinação em massa da população-alvo nessas três cidades e faz parte da primeira leva de 1,3 milhão de doses que serão entregues pelo Butantan.
Enquanto isso, assim como no restante do país, o público de 10 a 14 anos desses locais continua a ser contemplado com o imunizante da fabricante japonesa Takeda, a Qdenga, que é aplicada em duas doses.
Na campanha nacional, o Ministério prevê ampliar a oferta para profissionais da Atenção Primária à Saúde no início de fevereiro com as novas doses do Butantan. De acordo com o recebimento de mais unidades, a estratégia avançará para o público geral, começando pelos de 59 anos e descendo até chegar aos de 15.
De acordo com o secretário de Saúde de São Paulo, Eleuses Paiva, a primeira leva de 1,3 milhão de doses deve estar pronta até o final de janeiro e mais aplicações serão produzidas nos meses seguintes, chegando a 3 milhões ao término do primeiro semestre.
Até o fim do ano, a expectativa é alcançar 30 milhões de doses, com possibilidade de ampliação conforme a demanda nacional. Para isso, o Butantan firmou um acordo de produção com a empresa chinesa WuXi Biologics. O instituto já disse ter a expectativa de que sejam fabricadas 100 milhões de doses nos próximos dois anos.
— É uma vacina de dose única, a primeira no mundo nesse formato, e nós sabemos que ela é muito segura e protege muito bem as pessoas — reforçou o diretor do Programa Nacional de Imunizações (PNI), Eder Gatti, que acompanhou o início da vacinação em Nova Lima no sábado.
Os esforços acontecem em meio à alta da doença no país. 2025 foi o quarto ano consecutivo em que o país bateu um milhão de infecções e mil óbitos, embora tenha sido melhor que 2024, quando houve o recorde de 6,5 milhões de diagnósticos e 6,3 mil vítimas fatais. Para este ano, uma projeção de especialistas estima que serão 1,8 milhão de casos.


