Entidade afirma que formalização do tratado é “virada estratégica para o Brasil”; Fiesp também celebraEntidade afirma que formalização do tratado é “virada estratégica para o Brasil”; Fiesp também celebra

Acordo Mercosul-UE fará Brasil acessar 36% do comércio global, diz CNI

2026/01/19 06:03

O acordo entre o Mercosul e a União Europeia fará com que o Brasil amplie de 8% para 36% o acesso ao comércio mundial, segundo levantamento da CNI (Confederação Nacional da Indústria). A entidade se baseia em dados de 2024 ao afirmar que o bloco europeu respondeu por 28% do comércio global naquele ano. Eis a íntegra (PDF – 350 kB).

No sábado (17.jan), representantes dos países integrantes do Mercosul e autoridades da União Europeia se reuniram em Assunção, no Paraguai, para a assinatura do acordo comercial entre os 2 blocos, após 26 anos de negociações. O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), foi o único entre os 4 chefes de Estado do bloco sul-americano que não esteve presente na cerimônia. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, representou o país.

Javier Milei (La Libertad Avanza, direita), da Argentina, Yamandú Orsi (Frente Ampla, esquerda), do Uruguai e o anfitrião paraguaio, Santiago Peña (Partido Colorado, direita), participaram da cerimônia. Em dezembro de 2025, o Paraguai assumiu a presidência rotativa do Mercosul.

De acordo com a CNI, a formalização do acordo “é uma virada estratégica para a indústria brasileira”. O levantamento também indica que mais de 5.000 itens (ou 54,3% dos produtos negociados) terão imposto zerado na União Europeia assim que o tratado entrar em vigor.

Do lado do Mercosul, o Brasil também terá prazos mais longos (de 10 a 15 anos) para reduzir tarifas de 44,1% dos produtos (4.400 itens). A CNI avalia que isso assegura uma “transição gradual e previsível”.

O Brasil terá, em média, 8 anos adicionais para se adaptar à redução tarifária, se comparado ao prazo do bloco europeu e considerando o comércio bilateral e o cronograma estabelecido no acordo Mercosul-UE.

O presidente da CNI, Ricardo Alban, afirma que a formalização da parceria entre os 2 blocos se dá em um momento estratégico para o Brasil. “O acordo é a decisão comercial mais importante para a indústria brasileira em décadas. Ele garante acesso imediato ao mercado europeu, assegura tempo de adaptação para a indústria nacional e reposiciona o Brasil em um contexto de diversificação de parceiros, criando também um incentivo para avançar na agenda de competitividade estrutural”, declara.

A confederação também diz que a assinatura do tratado assegura ampla abertura imediata do mercado europeu às exportações brasileiras. “Com base nos dados de 2024, 82,7% das exportações do Brasil para a UE passarão a ingressar no bloco sem tarifa de importação desde o início da vigência. Por outro lado, o Brasil se comprometeu a zerar imediatamente tarifas de apenas 15,1% das importações com origem na União Europeia, reforçando a diferença favorável ao país”, afirma a entidade.

Só 0,9% do que é exportado pelo Brasil ao bloco europeu terá que aguardar 10 anos para alcançar tarifa zero, enquanto 56,7% das importações brasileiras originárias do bloco europeu terão suas tarifas eliminadas depois de 10 ou 15 anos. “Em 2024, a cada R$ 1 bilhão exportado do Brasil à UE, foram criados 21.800 empregos e movimentados R$ 441,7 milhões em massa salarial e R$ 3,2 bilhões em produção”, acrescenta a CNI.

INDÚSTRIA PUXA COMÉRCIO BRASIL-UE

Em 2024, a União Europeia foi destino de US$ 48,2 bilhões das exportações brasileiras (ou 14,3% do total exportado pelo país). Segue como o 2º principal mercado externo do Brasil.

No mesmo período, a UE foi responsável por US$ 47,2 bilhões das importações brasileiras (ou 17,9% do total). Produtos da indústria de transformação corresponderam a 98,4% das importações advindas do bloco, enquanto 46,3% das exportações do Brasil para a União Europeia foram de bens industriais.

“Essa complementaridade contribui para a modernização do parque industrial brasileiro aumentando a competitividade da indústria”, diz a CNI.

FIESP

A Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) afirma que o acordo é “um marco para a integração externa brasileira”. Diz ainda que o tratado “facilita o comércio de serviços e dá mais segurança jurídica aos investimentos bilaterais”.

A entidade menciona que o estoque vindo da UE para o Brasil totalizou US$ 290 bilhões em 2024, o que consolidou o bloco como o maior investidor no país.

“A Fiesp atuará pela rápida ratificação do acordo no Congresso Nacional, mas alerta que é necessário o País fazer o “dever de casa” focado na competitividade. Sem a superação de entraves do Custo Brasil e uma postura ativa do governo contra eventuais barreiras de caráter não tarifário pelo parceiro comercial, as vantagens teóricas do tratado correm o risco de não se traduzirem em benefícios para o nosso País”, acrescenta. Eis a íntegra (PDF – 361 kB).

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