Repressão a manifestações que já duram mais de 20 dias deixou milhares de mortos; líder supremo defendeu ação dura das forças de segurança e voltou a responsabiRepressão a manifestações que já duram mais de 20 dias deixou milhares de mortos; líder supremo defendeu ação dura das forças de segurança e voltou a responsabi

Mortes em protestos no Irã chegam a 5.000, segundo agência

2026/01/19 05:55

Ao menos 5.000 pessoas morreram em decorrência da repressão aos protestos no Irã, de acordo com a agência Reuters. As manifestações ocorrem há mais de 20 dias e pedem o fim do regime dos aiatolás, no poder desde 1979.

O número ainda não foi confirmado oficialmente pelo governo do país. A agência diz que obteve a informação com um integrante do governo iraniano. Organizações independentes de direitos humanos apresentam estimativas divergentes. A ONG norte-americana HRANA (Human Rights Activist News Agency) informou no sábado (17.jan) que contabilizou 3.308 mortos, além de outros 4.382 casos em análise. Segundo a entidade, ao menos 24.000 pessoas foram presas.

Já a organização IHR (Iran Human Rights), sediada na Noruega, estima 3.428 manifestantes mortos pelas forças de segurança. O canal oposicionista Iran International, com sede no exterior, afirmou que o total pode chegar a 12.000 mortes, citando informações de integrantes do governo e da área de segurança.

De acordo com agência Reuters, cerca de 500 dos mortos seriam integrantes das forças de segurança. O governo iraniano afirma que civis e agentes morreram em confrontos provocados pelos próprios manifestantes e acusa os Estados Unidos, Israel e grupos armados no exterior de apoiar os protestos.

Os atos começaram por causa da crise econômica e do alto custo de vida, mas evoluíram para críticas diretas ao regime. Relatos de manifestantes indicam repressão com uso de armas de fogo por policiais e militares.

DISCURSO DO LÍDER SUPREMO

No sábado (17.jan), o líder supremo do Irã, Ali Khamenei, voltou a condenar os protestos e afirmou que as autoridades têm a obrigação de “quebrar as costas dos insurgentes”. Ele responsabilizou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), pelas mortes registradas durante a repressão.

“Consideramos o presidente americano culpado pelos mortos, pelos danos e pelas acusações formuladas contra a nação iraniana”, disse Khamenei, em discurso a apoiadores durante uma festividade religiosa. Segundo ele, os protestos seriam parte de uma “conspiração americana” para enfraquecer o país.

Khamenei também reagiu às declarações de Trump, que ameaçou atacar o Irã caso o regime execute manifestantes presos.

INTERNET E REPRESSÃO

Desde 8 de janeiro, o governo iraniano restringiu o acesso à internet no país. A ONG Netblocks informou neste domingo (18.jan) que detectou uma leve retomada da conectividade, que permanece em torno de 2% dos níveis habituais.

As dificuldades de comunicação dificultam a verificação independente dos dados sobre mortos e presos. Iranianos no exterior relatam receber informações fragmentadas de familiares, por meio de ligações curtas, devido ao custo elevado e ao temor de vigilância estatal.

O procurador de Teerã, Ali Salehi, afirmou à TV estatal que a resposta do governo aos protestos foi “firme, dissuasiva e rápida”.

PROTESTOS NO IRÃ

Os protestos no Irã tiveram início em 28 de dezembro de 2025. São motivados pela situação econômica do país, com desvalorização acentuada da moeda, inflação a 42,2% (dados de dezembro de 2025) e aumento dos preços de bens essenciais. Comerciantes e trabalhadores foram às ruas para exigir um alívio econômico.

Mais pessoas se juntaram à manifestação. Reivindicam reformas políticas e do sistema judiciário, mais liberdade e criticam o governo do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã. O o governo persa reagiu. De acordo com informações da Hrana (Human Rights Activists News Agency), agentes usaram armas de fogo e gás lacrimogêneo para reprimir as manifestações. O acesso à internet foi cortado em 9 de janeiro.

Khamenei chama os manifestantes de “sabotadores”.

  • Ali Khamenei – o aiatolá de 86 anos está no poder desde 1989. Ele comanda uma teocracia islâmica xiita que concentra poder absoluto no líder supremo, cargo vitalício com autoridade sobre todos os Poderes constitucionais. O regime, baseado na Sharia (lei islâmica), impõe restrições severas às mulheres, como uso obrigatório de hijab a partir dos 9 anos e necessidade de autorização marital para viagens internacionais. A oposição permanece fragmentada entre monarquistas exilados, a MEK (Organização dos Mujahideen do Povo), minorias étnicas e movimentos de protesto reprimidos, sem liderança unificada.

Veja imagens dos protestos no Irã (1min19s):

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