O comportamento recente da USDT na Venezuela chamou a atenção do mercado cripto local. Nas últimas 24 horas, o preço da stablecoin emitida pela Tether caiu abaixo de 500 bolívares em negociações P2P pela primeira vez desde dezembro.
O movimento ocorre em meio a aumento momentâneo na oferta de moeda estrangeira no sistema financeiro venezuelano e gera questionamentos sobre se representa estabilização real ou ajuste temporário.
A queda da USDT na Venezuela pode ser explicada, a princípio, por um aumento momentâneo na oferta de moeda estrangeira no sistema financeiro. Nos últimos dias, a stablecoin caiu mais de 40% em relação aos patamares mais altos recentes, enquanto a diferença cambial diminuiu para quase 35%.
Em termos simples, a USDT funciona como termômetro do dólar paralelo. Quando há maior disponibilidade de moeda estrangeira, a demanda de compra diminui e a cotação em bolívares tende a se ajustar.
Analistas locais apontam vários fatores combinados: pagamentos salariais no meio do mês, maior liquidação de dólares no sistema bancário e expectativas de recuperação do setor petrolífero.
O ajuste em plataformas P2P como a Binance também influenciou, já que foram impostos limites de preço recentemente para reduzir distorções. A medida visou conter a sobrevalorização artificial que vinha inflando o preço da USDT, aproximando o mercado dos valores do câmbio oficial do Banco Central da Venezuela.
No entanto, muitos analistas concordam que correções desse tipo tendem a ser frágeis se não houver fluxo contínuo de moeda estrangeira. Sem ingresso sustentado de capital ou exportações, o equilíbrio pode se desfazer rapidamente.
A principal dúvida é se essa queda da USDT representa uma mudança estrutural ou apenas um alívio passageiro. Embora a diferença cambial tenha diminuído de forma expressiva, os preços de alimentos e serviços seguem em alta, o que causa percepção de desconexão econômica.
Usuários nas redes sociais resumem esse paradoxo de forma objetiva: a USDT cai, mas o custo de vida não recua. Esse fenômeno reforça a percepção de que muitos preços já estavam inflacionados pelas expectativas e não respondem imediatamente a ajustes cambiais.
De uma perspectiva macro, alguns economistas defendem que a Venezuela passa por um processo de correção. Qualquer tentativa de estabilização traz ajustes cambiais, mas a sustentabilidade exige reformas estruturais e ingresso efetivo de divisas. Sem essas condições, o mercado P2P pode voltar a se tensionar.
Outros observadores recomendam que o foco não fique apenas na queda do USDT, mas sim em seu papel prático. Na Venezuela, a stablecoin segue sendo ferramenta essencial para remessas, salários e preservação de valor.
Por isso, alguns sugerem diversificar a utilização do ativo, direcionando para geração de rendimento, outros criptoativos ou mesmo instrumentos tradicionais, reduzindo a dependência de um único parâmetro cambial.
A queda no preço da USDT na Venezuela reflete um ajuste expressivo, motivado pela maior oferta de moeda estrangeira e por medidas no mercado P2P. O fechamento da diferença cambial é um sinal positivo, ainda que frágil.
Sem entradas sustentadas de capital e reformas estruturais, esse cenário pode ser passageiro. O mercado seguirá acompanhando se essa queda marca o início de uma estabilização real ou se representa apenas um ciclo de bolha em deflação.
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