O fundador e diretor de investimentos da Cyber Capital, Justin Bons, afirmou que o Bitcoin (BTC) pode entrar em colapso em um período de 7 a 11 anos.
Ele mencionou a redução do orçamento de segurança, o aumento do risco de ataques de 51% e o que considera escolhas impossíveis para a rede. Bons alerta que essas vulnerabilidades estruturais podem comprometer a confiança e até resultar em divisões na chain.
Ao longo dos anos, especialistas já destacaram vários riscos para o Bitcoin, principalmente a computação quântica, que pode comprometer padrões atuais de segurança criptográfica e gerar um colapso generalizado.
No entanto, em uma publicação detalhada, Bons apresentou uma preocupação diferente. Ele argumentou que a maior ameaça de longo prazo ao Bitcoin está em seu modelo de segurança econômica.
O centro de seu argumento está no orçamento de segurança do Bitcoin, que apresenta tendência de queda. Após cada halving, as recompensas dos mineradores caem pela metade, reduzindo o incentivo para proteger a rede.
O halving mais recente ocorreu em abril de 2024, com novas rodadas previstas a cada quatro anos. Bons sustentou que, para manter o nível atual de segurança, o Bitcoin dependeria de valorização exponencial contínua do preço ou de taxas de transação permanentemente elevadas, cenários que considera pouco prováveis.
De acordo com Bons, a receita dos mineradores, e não o hashrate bruto, é o critério mais relevante para medir a segurança da rede. Ele destacou que, com ganhos de eficiência dos equipamentos, o hashrate pode subir mesmo com a redução do custo para gerar hashes, tornando esse indicador pouco confiável para avaliar a resistência a ataques.
Na visão dele, a baixa na receita dos mineradores reduz diretamente o custo para realizar um ataque à rede. Assim que o valor necessário para executar um ataque de 51% ficar abaixo dos possíveis ganhos vindos de gastos duplos ou interrupções, a ofensiva se torna uma estratégia economicamente viável.
Atualmente, as taxas de transação representam apenas uma pequena parcela da receita dos mineradores. Com a proximidade do fim dos subsídios por bloco nas próximas décadas, a rede teria de depender quase exclusivamente das taxas para manter sua segurança. Porém, o espaço restrito nos blocos limita a quantidade de transações e, consequentemente, a receita total em taxas.
Bons também apontou que taxas elevadas de forma duradoura são improváveis, uma vez que os usuários costumam abandonar a rede durante picos de custo, o que impede que as taxas substituam os subsídios de maneira sustentável no longo prazo.
Além do orçamento de segurança, Bons alertou sobre cenários similares a “corridas bancárias”. Segundo o executivo,
Ele explicou que, durante episódios de pânico, a rede pode não conseguir processar saques com rapidez, deixando usuários presos por congestionamento e aumento das taxas. Isso cria condições parecidas com uma corrida a bancos e impacta em um colapso geral do Bitcoin.
Bons ainda chamou atenção para o ajuste de dificuldade do Bitcoin, feito a cada duas semanas, como um fator de risco adicional. Se houver uma forte queda no valor, mineradores deficitários podem desligar suas operações, o que reduz o ritmo de geração de blocos até o próximo ajuste.
Ele acrescentou que esse risco de congestionamento torna a autocustódia em massa perigosa em períodos de estresse, advertindo que usuários podem não conseguir sair da rede quando a demanda for muito alta.
Bons concluiu que o Bitcoin enfrenta um dilema estrutural. Uma saída seria expandir o fornecimento total para além dos 21 milhões de moedas, a fim de preservar os incentivos dos mineradores e a segurança da rede. Entretanto, ele observa que essa solução comprometeria a principal proposta de valor do Bitcoin, podendo resultar em divisão da chain.
Por outro lado, segundo ele, restaria tolerar o enfraquecimento progressivo do modelo de segurança, aumentando a exposição a ataques e censura.
Ele também associou o problema ao legado da disputa sobre o tamanho dos blocos, argumentando que limites de governança no Bitcoin Core dificultam mudanças relevantes no protocolo, a não ser em situações de crise. Nesse cenário, ele alerta que pode já ser tarde demais para contornar os problemas.
O artigo Bitcoin pode enfrentar colapso em 7 a 11 anos, alerta fundador foi visto pela primeira vez em BeInCrypto Brasil.


